{"id":8018,"date":"2024-03-18T20:20:04","date_gmt":"2024-03-18T20:20:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/carta-das-organizacoes-e-movimentos-sociais-do-vale-do-jequitinhonha-para-a-caravana-mesa-de-dialogo-sobre-a-realidade-da-mineracao-no-brasil-11-a-15-de-marco-de-2024\/"},"modified":"2025-01-31T15:43:41","modified_gmt":"2025-01-31T15:43:41","slug":"carta-das-organizacoes-e-movimentos-sociais-do-vale-do-jequitinhonha-para-a-caravana-mesa-de-dialogo-sobre-a-realidade-da-mineracao-no-brasil-11-a-15-de-marco-de-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/carta-das-organizacoes-e-movimentos-sociais-do-vale-do-jequitinhonha-para-a-caravana-mesa-de-dialogo-sobre-a-realidade-da-mineracao-no-brasil-11-a-15-de-marco-de-2024\/","title":{"rendered":"CARTA DAS ORGANIZA\u00c7\u00d5ES E MOVIMENTOS SOCIAIS DO VALE DO JEQUITINHONHA PARA A CARAVANA MESA DE DI\u00c1LOGO SOBRE A REALIDADE DA MINERA\u00c7\u00c3O NO BRASIL (11 A 15 DE MAR\u00c7O DE 2024)"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-18-at-20.18.36-1024x461.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9708\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">As consequ\u00eancias devastadoras dos processos miner\u00e1rios s\u00e3o amplamente conhecidas, seja\u00a0 pelos recentes crimes em Minas Gerais, particularmente Brumadinho e Mariana, seja pela desagrega\u00e7\u00e3o do tecido social verificados nas in\u00fameras experi\u00eancias de explora\u00e7\u00e3o mineral no Brasil e no mundo. A despeito das promessas de sustentabilidade (\u201clavagem verde\u201d praticada pelas empresas visando amplia\u00e7\u00e3o de seus lucros) e de crescimento econ\u00f4mico, a megaminera\u00e7\u00e3o tem alimentado um modelo econ\u00f4mico predat\u00f3rio, que concentra riqueza, aprofunda a desigualdade e exacerba o racismo ambiental. Defender a minera\u00e7\u00e3o do l\u00edtio no Vale do Jequitinhonha \u00e9, pois, defender um projeto de morte!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">O capitalismo moderno colonial&nbsp; ataca o Vale do Jequitinhonha desde as primeiras expedi\u00e7\u00f5es&nbsp; no territ\u00f3rio com as sucessivas guerras contra os povos origin\u00e1rios, com a minera\u00e7\u00e3o escravista, com o poder de fazendeiros-coron\u00e9is e dos ditos projetos de desenvolvimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Atrav\u00e9s das l\u00f3gicas de expropria\u00e7\u00f5es materiais e simb\u00f3licas, o Vale do Jequitinhonha foi estigmatizado como regi\u00e3o problema, como um bols\u00e3o de pobreza, o que o tornou uma \u201czona de sacrif\u00edcio\u201d, lugar no qual pode se extrair bens naturais e m\u00e3o de obra para a superexplora\u00e7\u00e3o. Uma popula\u00e7\u00e3o majoritariamente negra vitimada por uma l\u00f3gica societ\u00e1ria extremamente desigual que favorece as elites locais e os propriet\u00e1rios dos complexos agroindustriais das regi\u00f5es \u201cdesenvolvidas\u201d do sul e do sudeste brasileiro. Atividades que arrancam do ventre das mulheres negras e ind\u00edgenas do Vale do Jequitinhonha, tornadas \u201cvi\u00favas de maridos vivos\u201d pela migra\u00e7\u00e3o sazonal, a for\u00e7a de trabalho submetida a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. Tudo isso em prol do progresso! Fica evidente que nesta regi\u00e3o as propostas elaboradas pelo Estado n\u00e3o trouxeram o desenvolvimento para dentro e h\u00e1 uma d\u00edvida hist\u00f3rica de acesso e inclus\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. N\u00e3o podemos repetir os mesmos erros, por isso se faz necess\u00e1rio construir com o povo que foi expropriado o desenvolvimento que lhes permitam permanecer no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">O discurso da pobreza do Vale do Jequitinhonha foi largamente mobilizado pelos grupos s\u00f3cio-econ\u00f4micos dominantes para angariar investimentos governamentais &#8211; interven\u00e7\u00f5es que ampliaram a desigualdade social, a degrada\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-ambiental, a expropria\u00e7\u00e3o dos bens comuns e, que incidiram negativamente na reprodu\u00e7\u00e3o do modo de vida da popula\u00e7\u00e3o local. Al\u00e9m da expropria\u00e7\u00e3o de terras tradicionalmente ocupadas para a montagem de fazendas, as comunidades tradicionais do Vale do Jequitinhonha sofreram, a partir da d\u00e9cada de 1970, com projetos voltados para a produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, dentre os quais a monocultura de eucalipto para a produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o para o atendimento do setor de siderurgia e a constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Irap\u00e9, inaugurada em 2006. Todos projetos que tinham como promessa a \u201creden\u00e7\u00e3o do Vale\u201d. Todos esses regimes de acumula\u00e7\u00e3o estiveram fundados em uma l\u00f3gica explorat\u00f3ria marcada pela exporta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e territ\u00f3rio (monocultura do eucalipto, pecu\u00e1ria, minera\u00e7\u00e3o, energia el\u00e9trica), tornando \u00e1rduas as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de vida em uma regi\u00e3o semi\u00e1rida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Os agentes econ\u00f4micos que representam a megaminera\u00e7\u00e3o do l\u00edtio na regi\u00e3o afirmam realizar \u201cminera\u00e7\u00e3o a seco\u201d. No entanto, enquanto cada n\u00facleo familiar de comunidades rurais do Vale do Jequitinhonha disp\u00f5em de uma caixa d\u2019\u00e1gua de 16.000 litros para consumo dom\u00e9stico por 8 meses (per\u00edodo de estiagem), ou seja, 2 mil litros por fam\u00edlia\/m\u00eas, a outorga da Ag\u00eancia Nacional das \u00c1guas \u2013 ANA para apenas uma das empresas em opera\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios de Ara\u00e7ua\u00ed e Itinga \u00e9 de 3,8 milh\u00f5es de litros\/dia (100 milh\u00f5es de litros\/m\u00eas), o que daria para abastecer 34.000 fam\u00edlias. Dados que demonstram a produ\u00e7\u00e3o da escassez de \u00e1gua para nutrir a vida das fam\u00edlias na regi\u00e3o, enquanto a capacidade h\u00eddrica do rio Jequitinhonha \u00e9 canalizada para alimentar o capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">As cascatas de viol\u00eancia de todos esses per\u00edodos hist\u00f3ricos resultaram, em todos os casos e sem exce\u00e7\u00e3o, na expropria\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios tradicionalmente ocupados, na degrada\u00e7\u00e3o ambiental, na superexplora\u00e7\u00e3o de homens, mulheres e crian\u00e7as. Esses processos t\u00eam vulnerabilizado as condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia de muitas formas de vida no Vale do Jequitinhonha, criando uma realidade hist\u00f3rica em que se pode reconhecer sequ\u00eancias de pr\u00e1ticas de ecoc\u00eddios, genoc\u00eddios e epistemic\u00eddios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Enquanto um coletivo de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais que atua h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas no Vale do Jequitinhonha na luta por direitos e defesa do territ\u00f3rio, temos resistido. Em continuidade \u00e0s lutas ancestrais, mencionamos abaixo trechos de documentos produzidos em diversos momentos de mobiliza\u00e7\u00e3o popular frente \u00e0 amea\u00e7a de aprofundamento da viol\u00eancia, da pauperiza\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o dos modos de vida de povos e comunidades tradicionais representada pelos recentes empreendimentos miner\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Em 27 de julho de 2019, os povos origin\u00e1rios Pankararu e Patax\u00f3 e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) reivindicaram na Carta \u201cDos Vales ao Mar\u201d que:\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>\u201cO Territ\u00f3rio do Vale tamb\u00e9m deve ser considerado como SER VIVO. Apesar da Constitui\u00e7\u00e3o de Minas Gerais considerar o rio Jequitinhonha um patrim\u00f4nio natural do estado, \u00e9 not\u00f3ria a contradi\u00e7\u00e3o quando est\u00e3o em perspectiva os interesses do capital. Nessas situa\u00e7\u00f5es os governos e \u00f3rg\u00e3os licenciadores autorizam e participam de empreendimentos que degradam o rio e toda a M\u00e3e Terra (hidrel\u00e9tricas, termel\u00e9tricas, barragens, minera\u00e7\u00e3o, dentre outros empreendimentos agroindustriais de larga escala) que causam a intoxica\u00e7\u00e3o dos rios, c\u00f3rregos, nascentes, fauna, flora e solo, amea\u00e7ando a vida do territ\u00f3rio e das v\u00e1rias popula\u00e7\u00f5es que o habitam.\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Representantes de 61 comunidades tradicionais do Vale do Jequitinhonha (povos ind\u00edgenas, quilombolas, comunidades tradicionais de pescadores artesanais, agroextrativistas, artes\u00e3s, groteiras-chapadeiras, vazanteiras, geraizeiras), organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais se reuniram em Ara\u00e7ua\u00ed, entre 09 e 11 de junho de 2022, durante o \u201cEncontro dos Povos e Comunidades Tradicionais do Vale do Jequitinhonha\u201d, evento de encerramento da 1\u00aa etapa do Mapeamento de Povos e Comunidades Tradicionais do Alto\/M\u00e9dio Jequitinhonha, e declararam:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>\u201cA luta em defesa do nosso modo de vida tem sido incans\u00e1vel e di\u00e1ria. Nossos Territ\u00f3rios Tradicionais est\u00e3o sendo expropriados. Exigimos respeito aos Protocolos Comunit\u00e1rios de Consulta, que devem dizer como o Estado, as empresas e outros devem ou n\u00e3o atuar em nossos territ\u00f3rios. Estes protocolos foram constru\u00eddos e conquistados com muita luta e devem ser ampliados para que tenhamos a garantia da autonomia sobre nossos territ\u00f3rios, recursos naturais e saberes tradicionais associados que conformam nossos modos de vida. Denunciamos todas as amea\u00e7as que sofremos. Gritamos contra o Estado que viola nossos direitos territoriais, vende e ou facilita o acesso dos nossos territ\u00f3rios aos grandes empreendimentos; incita o medo aos nossos parentes; divide nossas comunidades; implanta projetos de infraestrutura que n\u00e3o dialogam com nossa cultura, nossa tradi\u00e7\u00e3o; nos priva dos direitos de acesso \u00e0 \u00e1gua, saneamento, moradia; retira nossos direitos sociais conquistados; nos fornece uma educa\u00e7\u00e3o formal que n\u00e3o dialoga com a nossa cultura e modo de vida, que n\u00e3o fala nossa l\u00edngua e que viola nossas identidades. DENUNCIAMOS E N\u00c3O MAIS TOLERAMOS o agro e hidroneg\u00f3cio, as barragens hidrel\u00e9tricas, as empresas de monocultura do eucalipto e as mineradoras que: abrem furos de prospec\u00e7\u00e3o e deixam as crateras da cobi\u00e7a em nosso ch\u00e3o, aprisionam e matam os nossos rios, roubam as nossas chapadas e secam todas as nossas fontes de vida; que invadem nossos territ\u00f3rios e pulverizam venenos contaminando a nossa m\u00e3e terra e nossas gentes &#8211; dizendo que s\u00e3o os donos. EXIGIMOS que o Estado realize a\u00e7\u00f5es que promovam: o retorno das \u00e1guas em nossas veredas, nascentes e c\u00f3rregos; a fiscaliza\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o dos solos e das \u00e1guas; a acelera\u00e7\u00e3o dos processos de reconhecimento identit\u00e1rios, a emiss\u00e3o de certid\u00f5es de autoidentifica\u00e7\u00e3o, bem como dos processos de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria das nossas terras tradicionalmente ocupadas.\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Por ocasi\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o, na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, do Projeto de Lei n\u00ba 1992\/2020 que prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o do Polo Miner\u00e1rio e Industrial do L\u00edtio nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra de Minas Gerais (CPT\/MG), manifestou sua indigna\u00e7\u00e3o e rep\u00fadio nos seguintes termos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>&#8220;Somos contr\u00e1rios a qualquer iniciativa que promova a cria\u00e7\u00e3o, fortalecimento e incentivo da cadeia de explora\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o. Os eventos de Mariana (2015) e Brumadinho (2019) evidenciam que a atividade miner\u00e1ria amea\u00e7a o meio ambiente e a exist\u00eancia de grupos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social, muitas vezes j\u00e1 criminalizados pelos interesses do grande capital. A aus\u00eancia de Consulta Livre, Pr\u00e9via e Informada dos povos ind\u00edgenas, quilombolas, pescadores, povos e comunidades tradicionais, assentados e assentadas da reforma agr\u00e1ria dos vales Jequitinhonha e Mucuri caracteriza uma ilegalidade em todo o processo de licenciamento ambiental, considerando que o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio da Conven\u00e7\u00e3o n\u00ba 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT).<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>O desenvolvimentismo adotado por governos no Brasil refor\u00e7a uma l\u00f3gica conservadora e colonial, estruturada em um modelo econ\u00f4mico e social que busca criar uma falsa percep\u00e7\u00e3o de bem-estar social e equil\u00edbrio ambiental. A estrangeiriza\u00e7\u00e3o das terras e tamb\u00e9m as isen\u00e7\u00f5es fiscais, como a que consta no Art. 3\u00ba, VII do PL 1992\/2020, s\u00e3o ferramentas desse modelo, que amplia a acumula\u00e7\u00e3o de capital, destr\u00f3i territ\u00f3rios e amea\u00e7a povos e comunidades tradicionais que lutam para sobreviver diante desse sistema.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>[&#8230;]<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>Enquanto a minera\u00e7\u00e3o for motivada pela gan\u00e2ncia e lucro das grandes empresas, amea\u00e7ando e impactando as comunidades camponesas, os povos e as comunidades tradicionais, os povos origin\u00e1rios, os assentamentos da reforma agr\u00e1ria, a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT-MG) continuar\u00e1 se opondo a esse modelo de desenvolvimento que alimenta a viol\u00eancia, os conflitos no campo e promove injusti\u00e7as sociais e destrui\u00e7\u00e3o ambiental.<\/strong><\/em>&#8220;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">O Movimento dos Atingidos por Barragens de Minas Gerais (MAB&nbsp; MG) afirmou que nos vales do Jequitinhonha e Mucuri, o referido projeto de lei viola o direito de povos e comunidades tradicionais. Para o Movimento:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><em>&#8220;O Projeto de Lei que cria o Polo Miner\u00e1rio e Industrial do L\u00edtio nos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri est\u00e1 sendo votado na ALMG sem a participa\u00e7\u00e3o efetiva do povo mineiro, inclusive o povo tradicional da regi\u00e3o. A proposta foi criada em 2020 durante a pandemia, ou seja, em um momento de baixa participa\u00e7\u00e3o popular no debate.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>O MAB compreende que propor um PL que atinge diretamente a vida do povo do Jequitinhonha e Mucuri, que s\u00e3o regi\u00f5es ricas em comunidades tradicionais, sem di\u00e1logo com a popula\u00e7\u00e3o tradicional e com os mineiros \u00e9 no m\u00ednimo desrespeitoso.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>A Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) possui a defini\u00e7\u00e3o de quem s\u00e3o os povos e comunidades tradicionais e estabelece a obriga\u00e7\u00e3o dos governos em reconhecer e proteger os valores e pr\u00e1ticas sociais, culturais, religiosos e espirituais pr\u00f3prios desses povos.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>A Conven\u00e7\u00e3o institui ainda a obrigatoriedade de consulta livre, pr\u00e9via e informada aos povos tradicionais, mediante procedimentos apropriados, toda vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscet\u00edveis de atingi-los diretamente. Essas medidas podem ser tanto adotadas pela esfera p\u00fablica quanto pela esfera privada.\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">No dia 03 de maio de 2023, o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais \u2013 MPMG, por meio de sua Coordenadoria de Inclus\u00e3o e Mobiliza\u00e7\u00e3o Social (CIMOS), recomendou ao Conselho da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) Chapada do Lago\u00e3o a anula\u00e7\u00e3o da vota\u00e7\u00e3o que autorizou a pesquisa mineral de l\u00edtio na regi\u00e3o, atrav\u00e9s do N. 02\/2023- procedimento N. MPMG-00323.00145-4. A APA possui mais de 130 nascentes catalogadas e, por isso, \u00e9 considerada a caixa d\u2019\u00e1gua do munic\u00edpio de Ara\u00e7ua\u00ed. Ao todo, mais de 300 fam\u00edlias vivem no territ\u00f3rio, incluindo comunidades tradicionais quilombolas,por isso entende -se que a \u00e1rea da\u201d APA do Lago\u00e3o\u201d\u00e9 um patrim\u00f4nio imaterial e deve ser preservado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">O modelo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica na regi\u00e3o projetado n\u00e3o produz energia limpa, pois n\u00e3o h\u00e1 como se produzir energia limpa com viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos e polui\u00e7\u00e3o ambiental. Desde quando a empresa SIGMA come\u00e7ou a explorar l\u00edtio da Grota do Cirilo em Itinga, a comunidade Piau\u00ed Po\u00e7o Dantas vem sofrendo v\u00e1rias viola\u00e7\u00f5es de direitos e quest\u00f5es ambientais, conforme foi divulgado em nota do MAB:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>\u201cNesta semana, atingidos da comunidade de Piau\u00ed do Po\u00e7o Dantas, distrito de Itinga no m\u00e9dio Jequitinhonha, receberam o Minist\u00e9rio P\u00fablico de MG para um di\u00e1logo e den\u00fancia da situa\u00e7\u00e3o enfrentada.Desde 2022, os moradores enfrentam problemas cotidianos como o adoecimento respirat\u00f3rio por causa da poeira da explora\u00e7\u00e3o, rachaduras e trincas nos im\u00f3veis e tamb\u00e9m o aumento das viola\u00e7\u00f5es ambientais e piora na qualidade de vida.Por in\u00fameras vezes, a comunidade procurou a empresa Sigma Lithium para resolver os problemas, mas n\u00e3o houve di\u00e1logo.O epis\u00f3dio mais grave e recente no territ\u00f3rio, foi a inunda\u00e7\u00e3o causada na casa de uma idosa. Com as chuvas, o desvio feito pela empresa levou o curso das \u00e1guas de chuva e min\u00e9rio para o im\u00f3vel. Al\u00e9m disso, os rejeitos desaguaram no ribeir\u00e3o Piau\u00ed que banha a comunidade. Os moradores cobram do Minist\u00e9rio P\u00fablico apoio com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o e uma solu\u00e7\u00e3o para os problemas\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Por tudo isso, REIVINDICAMOS que o VALE DO JEQUITINHONHA seja TERRIT\u00d3RIO LIVRE DE MINERA\u00c7\u00c3O!\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>Ara\u00e7ua\u00ed &#8211; MG, Mar\u00e7o de 2024<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">ASSINAM:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Movimento dos Atingidos por Barragens &#8211; MAB<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Comiss\u00e3o Pastoral da Terra &#8211; CPT\/MG<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Comiss\u00e3o de Consulta Pr\u00e9via, Livre e Informada para Implanta\u00e7\u00e3o do Campus Quilombo do IFNMG em Minas Novas, Vale do Jequitinhonha\/MG<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Aldeia Cinta Vermelha &#8211; Jundiba Pankararu-Patax\u00f3<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Povo Aran\u00e3 Caboclo (Kaabok)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>C\u00e1ritas Diocesana de Ara\u00e7ua\u00ed<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Comiss\u00e3o das Comunidades Quilombolas do Vale do Jequitinhonha (COQUIVALE)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Vanderlei Pinheiro de Souza &#8211;&nbsp; Presidente do Conselho Gestor&nbsp; da APA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>N\u00facleo de Estudos, Pesquisa e Extens\u00e3o Afro-Brasileiros e Ind\u00edgenas (NEABI) do Campus Ara\u00e7ua\u00ed do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Observat\u00f3rio dos Vales e do Semi\u00e1rido Mineiro da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As consequ\u00eancias devastadoras dos processos miner\u00e1rios s\u00e3o amplamente conhecidas, seja\u00a0 pelos recentes crimes em Minas Gerais, particularmente Brumadinho e Mariana, seja pela desagrega\u00e7\u00e3o do tecido social verificados nas in\u00fameras experi\u00eancias de explora\u00e7\u00e3o mineral no Brasil e no mundo. A despeito das promessas de sustentabilidade (\u201clavagem verde\u201d praticada pelas empresas visando amplia\u00e7\u00e3o de seus lucros) e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-8018","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8018"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8018\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}