Funcionários
públicos vítimas do trabalho escravo
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Comissão Pastoral da Terra (CPT) manifesta-se consternada,
com toda a nação brasileira, diante da fria execução
dos auditores fiscais do Trabalho, Nelson José da Silva,
João Batista Soares Lage, Eratóstenes de Almeida
Gonçalves e do motorista Aílton Pereira de Oliveira,
em Unaí, MG. Eles foram executados no cumprimento de suas
funções: investigando denúncias da existência
de trabalhadores submetidos a condições análogas
à da escravidão. A CPT apresenta condolências
às suas famílias e aos seus colegas de trabalho.
----------O
que vimos acontecer ontem, em Minas Gerais, é uma afronta
ao próprio Estado brasileiro. Os interesses do latifúndio
e do agronegócio se sobrepõem à vida, às
pessoas, à lei.
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CPT vem denunciando a existência de trabalho escravo no
meio rural brasileiro durante as últimas décadas.
Apesar das medidas adotadas para combatê-lo mais eficazmente
- como a criação, em 1995, do Grupo Móvel
do Ministério do Trabalho e o recém lançado
Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo
– ele teima em persistir, porque é fonte de grandes
lucros para os proprietários de terras. Esses, por sua
vez, não se envergonham de lançar seus irmãos
às mais degradáveis condições de vida.
Dados parciais, levantados pela CPT, mostram que em 2003 houve
denúncias de 266 fazendas, com um total de 8.765 trabalhadores
submetidos a condições análogas à
de escravidão. 147 destas fazendas foram fiscalizadas com
o resgate de 4.725 trabalhadores.
----------O
trabalho escravo é conseqüência direta da própria
estrutura fundiária do Brasil. A concentração
da terra em poucas mãos exige a exploração
da mão-de-obra. Desde os primeiros momentos da colonização
essa exploração se deu através da sujeição
dos trabalhadores à escravidão.
----------Para
fazer frente a este estado de coisas algumas medidas são
urgentes e indispensáveis.
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primeira é a de expropriar as propriedades onde se constate
a existência de trabalho escravo e destiná-las para
a Reforma Agrária. Há alguns anos, projetos neste
sentindo tramitam no Congresso Nacional, mas eles nunca tiveram
a atenção e a urgência necessárias,
pois ali se encastelam os defensores das elites latifundiárias
deste país. Que as mortes destes servidores sirvam para
despertar a consciência dos nossos legisladores e que eles
não fiquem somente na lamentação, mas aprovem
logo estes projetos.
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segunda medida é mais profunda. O latifúndio precisa
ser banido. É preciso uma Reforma Agrária profunda
com uma legislação que limite o tamanho das propriedades
rurais para que se implante um novo modelo de desenvolvimento
centrando a atenção na agricultura familiar. Este
novo modelo trará de imediato como conquista a diminuição
da violência no campo, da exploração da mão-de-obra,
e a diminuição do desemprego.
----------Com
todos os brasileiros e brasileiras, a CPT aguarda medidas efetivas
que ajudem a cortar o mal pela raiz.
----------Coordenação
Nacional da Comissão Pastoral da Terra
Fonte CPT Nacional. www.cpt.org.br