{"id":5559,"date":"2018-08-08T21:02:34","date_gmt":"2018-08-08T21:02:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/levantamento-inedito-revela-que-26-mil-brasileiros-foram-intoxicados-por-agrotoxicos-nos-ultimos-dez-anos\/"},"modified":"2025-01-31T15:42:48","modified_gmt":"2025-01-31T15:42:48","slug":"levantamento-inedito-revela-que-26-mil-brasileiros-foram-intoxicados-por-agrotoxicos-nos-ultimos-dez-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/levantamento-inedito-revela-que-26-mil-brasileiros-foram-intoxicados-por-agrotoxicos-nos-ultimos-dez-anos\/","title":{"rendered":"Levantamento in\u00e9dito revela que 26 mil brasileiros foram intoxicados por agrot\u00f3xicos nos \u00faltimos dez anos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong>Levantamento in\u00e9dito revela que 26 mil brasileiros foram intoxicados por agrot\u00f3xicos nos \u00faltimos dez anos<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_1542\" aria-describedby=\"caption-attachment-1542\" style=\"width: 275px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1542 size-full\" src=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Agrot\u00f3xicos-veneno-na-comida.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"183\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1542\" class=\"wp-caption-text\">CPT contra o uso indiscriminado de agrot\u00f3xicos<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Por Bruno Fonseca\/Ag\u00eancia P\u00fablica<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1565\" src=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ag\u00eancia-de-Jornalismo-Investigativo.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"40\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cerca de 40 mil pessoas foram atendidas no sistema de sa\u00fade brasileiro ap\u00f3s serem expostas a agrot\u00f3xicos nos \u00faltimos dez anos, segundo um levantamento in\u00e9dito feito pela Ag\u00eancia P\u00fablica com base nos dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Desse total, 26 mil pacientes tiveram intoxica\u00e7\u00e3o confirmada por m\u00e9dicos, com sinais cl\u00ednicos como n\u00e1useas, diarreias ou problemas respirat\u00f3rios, ou mesmo altera\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas no sangue e urina detectadas por exames laboratoriais. A m\u00e9dia equivale a sete pessoas intoxicadas por dia. Homens s\u00e3o a maioria dos afetados por agrot\u00f3xicos agr\u00edcolas e a maioria dos pacientes tem ensino fundamental incompleto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo os registros, na maior parte dos casos o paciente foi curado. Mas h\u00e1 centenas de casos de mortes: 1.824 pessoas morreram devido \u00e0 intoxica\u00e7\u00e3o e outras 718 pessoas permaneceram com sequelas, como insufici\u00eancia respirat\u00f3ria, problemas nos rins ou les\u00f5es no f\u00edgado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O levantamento foi feito com base em registros de 2007 a 2017 no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (SINAN) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Os dados revelam tamb\u00e9m uma grande quantidade de tentativas de suic\u00eddio por agrot\u00f3xicos e milhares de envenenamentos no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1585 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Grafico-1-1-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"361\" height=\"217\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Agrot\u00f3xicos s\u00e3o amplamente usados em suic\u00eddios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As circunst\u00e2ncias nas quais ocorrem as intoxica\u00e7\u00f5es s\u00e3o variadas, mas os dados revelam duas situa\u00e7\u00f5es principais: suic\u00eddios e acidentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos \u00faltimos dez anos, mais de 12 mil pessoas tentaram suic\u00eddio com agrot\u00f3xicos em todo o Brasil. Dessas tentativas, 1.582 resultaram em mortes. Outras 231 tiveram cura, mas com sequelas. A maioria absoluta das tentativas de suic\u00eddio ocorreu no Paran\u00e1, com 2.140 registros. Em seguida v\u00eam S\u00e3o Paulo e Pernambuco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Agrot\u00f3xicos agr\u00edcolas s\u00e3o a terceira subst\u00e2ncia mais comum em tentativas de suic\u00eddio no Brasil, atr\u00e1s de medicamentos e produtos para matar ratos. A quantidade de pessoas que tentaram suic\u00eddio no Brasil com agrot\u00f3xicos \u00e9 quase oito vezes maior do que a dos que tentaram por abuso de drogas il\u00edcitas ou l\u00edcitas, como \u00e1lcool e anfetaminas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A letalidade das tentativas de suic\u00eddio por agroqu\u00edmicos \u00e9 preocupante: \u00e9 a maior entre todos os agentes utilizados nesses casos. Mais de 12% das tentativas de suic\u00eddio com intoxica\u00e7\u00e3o confirmada resultaram em morte, taxa dez vezes maior que a de pessoas que tentaram o suic\u00eddio com medicamentos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1586 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Grafico-2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"299\" height=\"180\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Trabalhadores com baixa escolaridade s\u00e3o os que mais se acidentam<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fora as tentativas de suic\u00eddio, os acidentes s\u00e3o a segunda principal causa de intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xico no Brasil. Nos \u00faltimos dez anos, foram mais de 7 mil ocorr\u00eancias. A maioria delas (62%) aconteceu em ambiente de trabalho. O Paran\u00e1 \u00e9 o estado com o maior n\u00famero absoluto: foram 1.082 casos confirmados nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1587 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Grafico-3-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A maioria dos casos de envenenamentos acidentais em ambiente de trabalho levou \u00e0 cura sem sequela. Contudo, h\u00e1 65 casos de sequelas ap\u00f3s o tratamento e 32 mortes por intoxica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mais da metade dos acidentes de trabalho com agrot\u00f3xicos envolve pessoas de 20 a 39 anos. Para cada mulher envenenada, h\u00e1 quase seis homens. E o grau de escolaridade mais comum \u00e9 da 5\u00aa \u00e0 8\u00aa s\u00e9rie do Ensino fundamental incompletas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para a professora do Departamento de Geografia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Larissa Bombardi, trabalhadores rurais s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis \u00e0s intoxica\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas porque lidam diretamente com os agrot\u00f3xicos, mas tamb\u00e9m porque as intoxica\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas \u2013 que ocorrem ap\u00f3s anos de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s subst\u00e2ncias \u2013 dificilmente s\u00e3o percebidas pelo sistema de sa\u00fade. \u201cQuem s\u00e3o os mais intoxicados s\u00e3o os trabalhadores rurais e os camponeses, que est\u00e3o manuseando esses produtos\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO que mais vai aparecer s\u00e3o as intoxica\u00e7\u00f5es agudas, o sujeito passou mal e procurou o servi\u00e7o de sa\u00fade, ou seja, os efeitos mais vis\u00edveis. J\u00e1 as cr\u00f4nicas aparecem com muito menos import\u00e2ncia nos dados. Por exemplo, o c\u00e2ncer e a malforma\u00e7\u00e3o fetal podem ser multifatoriais. Precisaria de um cuidado muito maior do sistema de sa\u00fade para identificar esses casos, embora a gente saiba que existem\u201d, avalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Larissa, que \u00e9 autora do Atlas do uso de agrot\u00f3xicos no Brasil, indica que, embora haja dados disponibilizados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e pelo Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es T\u00f3xico-Farmacol\u00f3gicas (Sinitox) da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), ainda faltam informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para aprofundar as pesquisas sobre intoxica\u00e7\u00f5es. \u201cEstamos come\u00e7ando a desenvolver uma metodologia que avalie a conex\u00e3o entre malforma\u00e7\u00e3o fetal e c\u00e2ncer com a exposi\u00e7\u00e3o a agrot\u00f3xicos, mas falta um mundo de pesquisa. A gente n\u00e3o tem informa\u00e7\u00e3o detalhada de consumo de agrot\u00f3xicos por munic\u00edpio, o montante utilizado em cada cidade, sobre pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea em todos os estados, ou seja, faltam dados oficiais\u201d, avalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Paran\u00e1 \u00e9 recordista em envenenamentos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O estado brasileiro com a maior quantidade absoluta de exposi\u00e7\u00f5es e intoxica\u00e7\u00f5es por agrot\u00f3xicos nos \u00faltimos dez anos \u00e9 o Paran\u00e1, com 4.648 registros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O estado \u00e9 o segundo do Brasil com maior \u00e1rea plantada do pa\u00eds e tamb\u00e9m o segundo com a maior quantidade de estabelecimentos que utilizam agrot\u00f3xicos, segundo dados do Censo Agro 2017, do IBGE. Entre as principais produ\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas no estado est\u00e3o cevada, feij\u00e3o, milho, trigo e soja. Ap\u00f3s o Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais s\u00e3o os estados com maior quantidade absoluta de estabelecimentos que utilizam venenos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1588 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Grafico-4-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos \u00faltimos dez anos, o Paran\u00e1 se manteve como um dos estados com maiores taxas de intoxica\u00e7\u00e3o por habitante. Contudo, desde 2011, os registros de intoxica\u00e7\u00e3o subiram no Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 hoje a unidade da Federa\u00e7\u00e3o com maior quantidade de intoxica\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1589 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Grafico-5-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"322\" height=\"193\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Paran\u00e1 \u00e9 o estado do deputado Luiz Nishimori (PR), relator do Projeto de Lei (PL) 6.299, de 2002, que altera a legisla\u00e7\u00e3o sobre os agrot\u00f3xicos, transferindo o poder regulat\u00f3rio da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (ANVISA) \u2013 vinculada ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u2013 para o Minist\u00e9rio da Agricultura, entre outras medidas. A Ag\u00eancia P\u00fablica questionou o deputado se a proposta, caso aprovada, n\u00e3o poderia aumentar os casos de intoxica\u00e7\u00e3o no seu pr\u00f3prio estado, mas n\u00e3o obteve resposta at\u00e9 o fechamento da reportagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O PL 6.299 \u00e9 duramente criticado pela pr\u00f3pria ANVISA, que afirma que as mudan\u00e7as regulat\u00f3rias trar\u00e3o riscos \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. A Comiss\u00e3o Cient\u00edfica em Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (CCVISA) mostra que o projeto \u201cvai na contram\u00e3o da tend\u00eancia internacional de consumo e com\u00e9rcio, representando um risco \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas brasileiras, podendo inclusive afetar a balan\u00e7a comercial do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por outro lado, a Sociedade Brasileira Rural (SBR), entidade que representa produtores rurais, defende que o projeto n\u00e3o ir\u00e1 aumentar a quantidade de intoxica\u00e7\u00f5es, pois elas ocorrem \u201cpela aplica\u00e7\u00e3o equivocada dos defensivos, sejam eles qu\u00edmicos ou org\u00e2nicos, da mesma forma que ocorre com os medicamentos\u201d, afirma o diretor Jo\u00e3o Adrien. \u201cA lei atual funciona como uma barreira que protege as multinacionais que j\u00e1 est\u00e3o no mercado, inibindo a entrada de novas empresas. Mas as startups com novas tecnologias, novos produtos, que surgir\u00e3o com uma lei menos discricion\u00e1ria, menos burocr\u00e1tica e mais eficiente, poder\u00e3o ter menor toxicidade\u201d, argumenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Press\u00e3o constante sobre a ANVISA<\/strong><br \/>\nA P\u00fablica questionou o Minist\u00e9rio da Agricultura sobre as intoxica\u00e7\u00f5es e a pasta respondeu em uma nota que \u201cum produto s\u00f3 \u00e9 liberado se considerado que, se utilizado conforme as recomenda\u00e7\u00f5es de uso, n\u00e3o coloque em risco a sa\u00fade humana e o meio ambiente\u201d. A assessoria do Minist\u00e9rio da Agricultura ainda acrescentou que \u201co n\u00famero de intoxica\u00e7\u00f5es com medicamentos \u00e9 muitas vezes superior ao dos pesticidas\u201d e que medidas para evitar o aumento das intoxica\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201ccompet\u00eancia das autoridades de sa\u00fade humana\u201d, completou. O atual ministro, Blairo Maggi (PP-MT), \u00e9 o autor do PL 6.299.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O projeto de lei foi apresentado dois meses depois de o Decreto 4.074 ter estabelecido a compet\u00eancia da ANVISA para avaliar e reavaliar os registros de agrot\u00f3xicos conforme o grau de toxidade. Segundo Luiz Cl\u00e1udio Meirelles, que foi gerente-geral de toxicologia da Anvisa de 1999 a 2012, sempre houve press\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios da Sa\u00fade e do Meio Ambiente na regulamenta\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos. \u201cDurante a gest\u00e3o tivemos muitas brigas com empresas de agrot\u00f3xicos e parte do agroneg\u00f3cio por conta dessas mudan\u00e7as na \u00e1rea regulat\u00f3ria, v\u00e1rias tentativas de tirar a compet\u00eancia [da ANVISA]. O projeto de lei \u00e9 de 2002, est\u00e1 conseguindo avan\u00e7ar agora por conta da conjuntura pol\u00edtica atual, mas a gente passou esses anos todos resistindo para que a compet\u00eancia nas \u00e1reas de sa\u00fade e meio ambiente n\u00e3o fossem retiradas. A gente n\u00e3o queria impedir que a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola exista, mas que incorpore novas tecnologias e que proteja a popula\u00e7\u00e3o\u201d, critica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Meirelles esteve na ANVISA tamb\u00e9m durante a implementa\u00e7\u00e3o da Rede Nacional de Centros de Informa\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia Toxicol\u00f3gica (RENACIAT), sistema que fornece informa\u00e7\u00f5es, diagnostica e trata envenenamentos por agrot\u00f3xicos e outras subst\u00e2ncias em todo o pa\u00eds. Segundo ele, os n\u00fameros reais de intoxica\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito maiores que os apontados pelo sistema de notifica\u00e7\u00f5es \u2013 a estimativa \u00e9 que, para cada caso reportado, 50 n\u00e3o sejam informados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim, nos \u00faltimos dez anos, o n\u00famero real de pessoas intoxicadas no Brasil poderia chegar a 1,3 milh\u00e3o, isto \u00e9, mais de 300 pessoas intoxicadas por dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cLidamos com uma informa\u00e7\u00e3o muito aqu\u00e9m daquela que deveria ser produzida at\u00e9 para orientar as pol\u00edticas p\u00fablicas nessa \u00e1rea\u201d, reconhece o especialista. No in\u00edcio de julho, contudo, a ANVISA publicou orienta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o 49\/2018, que permite o processo de registro de agrot\u00f3xicos por \u201canalogia\u201d, isto \u00e9, quando j\u00e1 forem aprovados no mercado dos Estados Unidos ou na Europa, facilitando mais o uso de pesticidas. A P\u00fablica procurou o \u00f3rg\u00e3o para comentar a repercuss\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o da portaria, mas n\u00e3o obteve retorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para a m\u00e9dica do Centro de Informa\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia Toxicol\u00f3gica (CIATOX) de Bras\u00edlia, Andrea Amoras Magalh\u00e3es, al\u00e9m da subnotifica\u00e7\u00e3o pela dificuldade de muitas pessoas acessarem o sistema de sa\u00fade, \u00e9 preciso treinar melhor os profissionais para identificar e tratar exposi\u00e7\u00f5es a agrot\u00f3xicos. \u201cA gente s\u00f3 faz diagn\u00f3stico daquilo que a gente conhece. A exposi\u00e7\u00e3o aguda \u00e9 muito mais f\u00e1cil de identificar. Falta ao sistema de sa\u00fade estar mais preparado para fazer diagn\u00f3stico da intoxica\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica [que ocorre ap\u00f3s v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es de menor dosagem]. Temos uma defici\u00eancia do ensino de toxicologia nas faculdades de medicina \u2013 que eu posso falar com mais proximidade \u2013, mas, de uma maneira geral, dos diversos profissionais de sa\u00fade\u201d, avalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Relat\u00f3rio aponta intoxica\u00e7\u00e3o em crian\u00e7as na zona rural e cobra provid\u00eancias<\/strong><br \/>\nEm maio de 2013, cerca de 90 pessoas, a maioria delas crian\u00e7as, foram internadas ap\u00f3s um avi\u00e3o pulverizar agrot\u00f3xico em uma planta\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima a uma escola rural em Goi\u00e1s, no munic\u00edpio de Rio Verde. A situa\u00e7\u00e3o foi documentada no relat\u00f3rio da ONG Human Rights Watch (baixe aqui: ), divulgado em julho deste ano, que coletou relatos de intoxica\u00e7\u00e3o em comunidades ind\u00edgenas, quilombolas e rurais em sete estados do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201c\u00c9 preciso delimitar uma zona de seguran\u00e7a para pulveriza\u00e7\u00e3o terrestre \u2013 em torno de locais como escolas, pr\u00e9dios ou \u00e1reas habitadas \u2013 porque at\u00e9 o momento n\u00e3o existe uma norma nacional. Para pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea existe, mas ela n\u00e3o \u00e9 respeitada. Deveria ocorrer a suspens\u00e3o da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea enquanto as autoridades conduzam estudos sobre os impactos ambientais e \u00e0 sa\u00fade\u201d, explica um dos autores do estudo e consultor da Human Rights Watch, Jo\u00e3o Guilherme Bieber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo o pesquisador, a intoxica\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as que estudam ou vivem em \u00e1reas pulverizadas \u00e9 ainda mais grave, pois os danos \u00e0 sa\u00fade s\u00e3o mais severos. Segundo os dados do DataSUS, nos \u00faltimos dez anos, 1.484 crian\u00e7as de at\u00e9 9 anos foram intoxicadas por agrot\u00f3xicos no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, o secret\u00e1rio de Defesa Agropecu\u00e1ria, Lu\u00eds Eduardo Rangel, se comprometeu a formalizar as dist\u00e2ncias de aplica\u00e7\u00e3o terrestre de agrot\u00f3xicos para evitar contamina\u00e7\u00e3o de pessoas. Procurado pela P\u00fablica, o Minist\u00e9rio da Agricultura respondeu que a compet\u00eancia para normatiza\u00e7\u00e3o e controle de uso de agrot\u00f3xicos \u00e9 dos \u00f3rg\u00e3os estaduais e do Distrito Federal e que uma proposta de instru\u00e7\u00e3o normativa est\u00e1 sendo elaborada para ser discutida no F\u00f3rum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecu\u00e1ria (Fonesa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De\u00a0A P\u00fablica, in\u00a0EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08\/08\/20<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fonte<\/strong>:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/2018\/08\/08\/levantamento-inedito-revela-que-26-mil-brasileiros-foram-intoxicados-por-agrotoxicos-nos-ultimos-dez-anos\/\">https:\/\/www.ecodebate.com.br\/2018\/08\/08\/levantamento-inedito-revela-que-26-mil-brasileiros-foram-intoxicados-por-agrotoxicos-nos-ultimos-dez-anos\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento in\u00e9dito revela que 26 mil brasileiros foram intoxicados por agrot\u00f3xicos nos \u00faltimos dez anos Por Bruno Fonseca\/Ag\u00eancia P\u00fablica Cerca de 40 mil pessoas foram atendidas no sistema de sa\u00fade brasileiro ap\u00f3s serem expostas a agrot\u00f3xicos nos \u00faltimos dez anos, segundo um levantamento in\u00e9dito feito pela Ag\u00eancia P\u00fablica com base nos dados do Minist\u00e9rio da&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":5455,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[62,50],"tags":[],"class_list":["post-5559","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agrotoxico-mata","category-artigo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5559"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5559\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5455"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}