21/11/2004 - 22h41
Protestos contra atentado a sem-terra fecham três rodovias em MG
da Agência Folha, em Belo Horizonte
da Folha Online

-----Três rodovias de Minas Gerais foram bloqueadas neste domingo por protestos promovidos por integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e da Via Campesina (rede internacional de organizações de trabalhadores rurais).
-----As manifestações foram motivadas pelo repúdio a um atentado, ocorrido no sábado, contra um acampamento do MST que deixou cinco mortos e 13 feridos, na zona rural do município de Felisburgo (MG). Três pessoas foram presas acusadas de envolvimento na ação.
-----Por volta das 14h30, cerca de 300 integrantes do acampamento Padre Gino, do MST, fecharam a BR-116, na altura do km 370, em Frei Inocêncio (a 356 km de Belo Horizonte). Os sem-terra atearam fogo em pneus e impediram o trânsito nos dois sentidos da pista, que foi liberada apenas às 18h30, depois de formar até 20 km de congestionamento.
-----Em Montes Claros (a 417 km de Belo Horizonte), cerca de 50 sem-terra bloquearam as duas pistas da BR-251 na altura do km 520. A manifestação começou às 15h10 e durou até as 17h20, quando a rodovia foi liberada.
-----Outro bloqueio ocorreu no km 54 na MG-050, em Juatuba (região metropolitana de Belo Horizonte). Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, por volta das 15h aproximadamente cem manifestantes fecharam as duas pistas da rodovia com árvores de grande porte. O engarrafamento chegou a 2 km e a pista foi liberada às 18h.


21/11/2004 - 19h07
Polícia prende trio acusado de atacar acampamento do MST em MG
da Folha Online

-----Três homens foram presos na manhã deste domingo acusados de terem participado de um atentado contra um acampamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), na tarde de sábado, na zona rural do município de Felisburgo (MG). Cinco pessoas morreram e 13 ficaram feridas.
-----Segundo a polícia, Francisco de Assis Rodrigues de Oliveira, o Chicão, Admilson Rodrigues Lima, o Bila, e Milton Francisco de Souza, foram encontrados durante rastreamentos na região.
Testemunhas do crime teriam reconhecido os suspeitos como alguns dos integrantes do grupo que atirou contra os quase 200 invasores e incendiou algumas das barracas.
Os proprietários da fazenda onde o acampamento foi armado serão chamados para prestar esclarecimentos à polícia.


21/11/2004 - 13h54
Chacina contra sem-terras não vai ficar impune, diz Nilmário
da Folha Online
-----O secretário dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, garantiu hoje que os mandantes da chacina contra trabalhadores rurais sem terra, ocorrida ontem em Felisburgo, Minas Gerais, não ficarão impunes. "A resposta terá que ser exemplar", disse.
-----Ontem (20) pela manhã o acampamento Terra Prometida, em Felisburgo, foi atacado por pistoleiros, segundo o membro da direção estadual do MST, Mauro Lemes. No local vivem 200 famílias. Os pistoleiros atearam fogo nas casas e abriram fogo contra os moradores. Cinco morreram e 13 foram feridos. Nilmário Miranda e o ministro Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário, além do presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, e do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Paulo Rodrigues, estão na região e acompanham a apuração do caso.
-----A comitiva do governo federal esteve pela manhã na sede da Prefeitura de Felisburgo e se reuniu com as equipes das polícias Civil e Militar de Minas Gerais. Também participam das investigações quatro viaturas da Polícia Federal. Nilmário ressaltou que a necrópsia será fundamental para determinar o que ocorreu no local.
-----De acordo com o ministro, as suspeitas recaem sobre o antigo proprietário da área, o empresário Adriano Shafico. Nilmário adiantou que a idéia é cooperar com o governo de Minas Gerais na resolução da questão. Ele e o ministro Miguel Rossetto vão visitar as famílias acampadas ainda hoje.
As informações são da Agência Brasil.


21/11/2004 - 11h21
Stédile diz que MST exige punição de culpados por mortes em MG
JANAINA LAGE
da Folha Online, no Rio

-----O coordenador nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), João Pedro Stédile, disse hoje que movimento exige do governo de Minas Gerais todas as providências para que os responsáveis pelo atentado contra um acampamento de sem-terras, ontem (20), no município de Felisburgo, sejam presos. Cinco pessoas morreram e outras 13 ficaram gravemente feridas.
-----"Acabamos de sair do julgamento de um massacre, agora vamos entrar em outro. Isso é o retrato do atraso dos fazendeiros, que tentam manter uma terra grilada", disse Stédile, que esteve hoje no velório do economista Celso Furtado, na sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio.
-----De acordo com Stédile, os representantes do movimento já vinham sofrendo pressões ao longo de dois anos. Ele disse que carros passavam em alta velocidade em frente ao acampamento e alguns adolescentes chegaram a ser seqüestrados.
-----Ontem, o local onde estava reunida a coordenação do acampamento foi invadido por cerca de 15 homens. Segundo testemunhas, os homens estavam fortemente armados e três deles encapuzados. Um outro teria sido reconhecido como um detento que estaria cumprindo pena na cadeia da cidade.
-----Cinco pessoas morreram e 13 ficaram gravemente feridas. Três delas foram deslocadas para o hospital de Teófilo Otoni.
-----Segundo Stédile, representantes do Instituto de Terras de Minas Gerais se deslocaram para o acampamento e o presidente do Incra vai participar hoje do enterro.
-----Policiais federais foram deslocados para o município para auxiliar nas investigações. A medida partiu do secretário Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, que considerou o caso "extremamente grave".
-----O acampamento reúne 200 famílias em 2.400 hectares de terra.


Lista da Reconquistar a UNE
MASSACRE DE SEM TERRAS
NO ACAMPAMENTO DA FAZENDA NOVA ALEGRIA
MUNICIPIO DE FELISBURGO, MINAS GERAIS


-----Cerca de duzentas familias do MST ocupam a area conhecida como Fazenda Nova Alegria, no municipio de Felisburgo, há mais de dois anos.
-----As familias estão lá tranquilamente, cultivando a terra e acampadas, esperando uma solução definitiva. A area é pretendida pelo fazendeiro ADRIANO SHAFICO, que vive no estado da Bahia e teria ligações com o poder judiciario local.
-----Logo apos a ocupãção há dois anos atras, o Instituto de Terras de Minas Gerais, ao analisar a situação conjuntamente com o Ministerio Publico local, verificou que as areas são de fato devolutas, e pertencem ao estado de Minas Gerais. Assim, o INCRA não poderia, nem legalmente desapropriar, pois na verdade o pretenso fazendeiro era grileiro.
-----Sabendo dessa situação, o fazendeiro passou esses dois anos fazendo todo tipo de provocações, fazendo ameças, chegou a sequestrar adolescentes, tentando de tudo fazer com que os sem-terra abandonassem a area.
-----Hoje, sabado, dia 20, por volta do meio dia, enquanto a coordenação do acampamento estava reunida num barraco,
-----cerca de 15 pistoleiros fortemente armados com carabinas, espingardas doze, invadiram o acampamento atirando, precisamente no barraco da reuniao, e atiraram intermetitentemente contra todos e todas.
----- Resultado: 5 companheiros morreram na hora. E foram levados outros 15 gravemente feridos para os hospitais. Há tambem ciranças e mulheres levemente feridas.
-----Os acampados reconheceram os atacantes como pistoleiros dos fazendeiros da regiao, e um deles inclusive seria recem forgaido da cadeia local por assassinato.
-----É evidente e notorio que o mandante desse massacre é o grileiro, fazendeiro Adriano Shafico.
-----O Movimento dos trabalhadores rurais sem terra, espera que a Justiça seja estabelecida, que todos os 15 pistoleiros que vieram em dois veiculos, com placas identificadas, e o fazendeiro mandante, sejam imediatamente presos.
-----E que o governo do estado de Minas tome posse da area, para distribui-la aos trabalhadores.
-----O Municipio de Felisburgo, fica a 700 km de Belo Horizonte, localizado no Vale do jequitinhonha,na divisa com o estado da Bahia e é uma das regioes mais pobres do país.

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Stédile acusa fazendeiro de ordenar massacre
Ministro Nilmário Miranda afirma que mandantes não ficarão impunes

-----O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais em Terra (MST), João Pedro Stédile, afirmou ontem, durante o velório de Celso Furtado no Rio, que todos os indícios levam a crer que o fazendeiro Adriano Shafico é o mandante do massacre que deixou cinco sem-terra mortos e outros 13 feridos no município de Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha (MG). Na manhã de sábado, um grupo de 15 homens fortemente armados invadiu a fazenda Nova Alegria, próxima à divisa com a Bahia, onde 200 famílias viviam acampadas há dois anos, e atiraram e atearam fogo nas barracas.
-----A Polícia Militar prendeu, por volta das 19h de ontem, três suspeitos de participarem da chacina. Dois deles são ex-membros do acampamento dos sem-terra, chamado Terra Prometida; o outro é um suposto pistoleiro da Bahia. Segundo o comandante da 48ª Companhia da Polícia Militar de Almenara, capitão Luciano Freire, dois presos teriam sido infiltrados no movimento pelos responsáveis pela chacina para obter informações.
------ Estamos exigindo que o Governo de Minas tome as devidas providências para prender os quinze pistoleiros e o mandante. Isso é o retrato do atraso dos fazendeiros, que tentam manter uma terra grilada - disse Stédile.
-----De acordo com o líder do MST, os representantes do movimento já vinham sofrendo pressões ao longo de dois anos. Ele disse que carros passavam em alta velocidade em frente ao acampamento e alguns adolescentes chegaram a ser seqüestrados.
------ O Adriano percebeu que estava sem saída porque era um grileiro e começou a provocar - conta Stédile.
-----O secretário dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, garantiu que os mandantes da chacina dos sem-terra não ficarão impunes.
------ A resposta terá que ser exemplar - garantiu.
-----Além de Shafico, que está foragido, seu primo, o ex-policial Civil Calixto é outro suspeito de ser mandante do crime. Segundo Nilmário, dois dos cinco sem-terra que morreram durante o massacre já haviam registrado queixa na polícia contra o fazendeiro e seu primo.
-----Na tarde de ontem, cerca de cem pessoas fecharam os dois sentidos da rodovia MG 050, próximo a Juatuba, com uma árvore, em protesto pela chacina de sábado.
-----Stédile afirma que os sem-terra acampados na fazenda Nova Alegria estavam esperando o processo de legalização das terras. Um levantamento elaborado pelo Incra atestou que a área é devoluta e pertence ao estado de Minas Gerais.
-----Nilmário Miranda e o ministro Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário, além do presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, e do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Paulo Rodrigues, foram para a região e acompanhar a apuração do caso.
-----A comitiva do governo federal esteve pela manhã de ontem na sede da Prefeitura de Felisburgo e se reuniu com as equipes das polícias Civil e Militar de Minas Gerais. Também participam das investigações quatro viaturas da Polícia Federal. Nilmário ressaltou que a necrópsia será fundamental para determinar o que ocorreu no local.
-----Durante uma reunião ontem, em São Paulo, o Diretório Nacional do PT divulgou nota de repúdio às mortes dos sem-terra, classificando os crimes de brutais e exigindo a punição dos responsáveis.
Com Agência Folha


Secretaria de Direitos Humanos vai apurar chacina contra sem-terras em Minas
Agencia Brasil
20:06 20/11

-----O Secretário de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, determinou que a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) acompanhe o assassinato de agricultores sem-terra no Vale do Jequetinhonha, em Minas Gerias, que ocorreu no início da tarde de hoje (20).
-----Nilmário Miranda solicitou ainda que uma equipe da Polícia Federal se desloque ainda neste sábado para o local. O objetivo da missão é auxiliar nas investigações.
-----Nilmário classificou o crime como um caso extremamente grave.
-----Pelas primeiras informações apuradas, cinco agricultores sem-terra foram assassinados e pelo menos 15 estariam feridos após um grupo de pessoas encapuzadas terem invadido um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na zona rural do município de Felisburgo, em Minas Gerais. Os encapuzados disparam vários tiros contra as famílias. Sessenta famílias vivem nesssa fazenda há cerca de um ano.


Sábado, 20 de novembro de 2004, 20h47 Atualizada às 10h10
Governo vai apurar morte de cinco sem-terra em MG

-----A Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) do governo federal vai acompanhar as investigações sobre o assassinato de cinco agricultores sem-terra no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, ocorrido ontem. O secretário Nilmário Miranda solicitou ainda que uma equipe da Polícia Federal se desloque para o local para auxiliar nas investigações.
-----O secretário classificou o crime como um caso extremamente grave. Cerca de 15 pessoas estão sendo procuradas pela chacina. O grupo, alguns encapuzados, invadiu um acampamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) e disparou contra os moradores na tarde de ontem na zona rural do município de Felisburgo, em Minas Gerais.
-----Pelo menos 13 pessoas ficaram feridas, dentre elas uma criança de 12 anos. Até o fim da tarde de ontem, dois feridos em estado grave continuavam internados e três tinham sido transferidos para um hospital de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri.
-----Alguns trabalhadores rurais identificaram dois moradores de Felisburgo que teriam participado da ação. A região foi totalmente cercada na tarde de ontem e uma equipe da Polícia Civil da cidade de Jequitinhonha, comandada pela delegada Maria Martins Motta, chegou à fazenda para iniciar as investigações. O proprietário da fazenda invadida, que mora na Bahia, será procurado para prestar informações.
-----A fazenda Nelore Nova Alegria foi invadida há cerca de três anos por aproximadamente 150 famílias. De acordo com a PM, na hora do conflito, pelo menos 80 famílias ainda estavam no acampamento.


 
 
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