21/11/2004 - 11h21
Stédile
diz que MST exige punição de culpados por mortes
em MG
JANAINA LAGE
da Folha Online, no Rio
-----O
coordenador nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra), João Pedro Stédile, disse hoje que movimento
exige do governo de Minas Gerais todas as providências para
que os responsáveis pelo atentado contra um acampamento
de sem-terras, ontem (20), no município de Felisburgo,
sejam presos. Cinco pessoas morreram e outras 13 ficaram gravemente
feridas.
-----"Acabamos
de sair do julgamento de um massacre, agora vamos entrar em outro.
Isso é o retrato do atraso dos fazendeiros, que tentam
manter uma terra grilada", disse Stédile, que esteve
hoje no velório do economista Celso Furtado, na sede da
Academia Brasileira de Letras, no Rio.
-----De
acordo com Stédile, os representantes do movimento já
vinham sofrendo pressões ao longo de dois anos. Ele disse
que carros passavam em alta velocidade em frente ao acampamento
e alguns adolescentes chegaram a ser seqüestrados.
-----Ontem,
o local onde estava reunida a coordenação do acampamento
foi invadido por cerca de 15 homens. Segundo testemunhas, os homens
estavam fortemente armados e três deles encapuzados. Um
outro teria sido reconhecido como um detento que estaria cumprindo
pena na cadeia da cidade.
-----Cinco
pessoas morreram e 13 ficaram gravemente feridas. Três delas
foram deslocadas para o hospital de Teófilo Otoni.
-----Segundo
Stédile, representantes do Instituto de Terras de Minas
Gerais se deslocaram para o acampamento e o presidente do Incra
vai participar hoje do enterro.
-----Policiais
federais foram deslocados para o município para auxiliar
nas investigações. A medida partiu do secretário
Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, que considerou
o caso "extremamente grave".
-----O
acampamento reúne 200 famílias em 2.400 hectares
de terra.
MST enterra vítimas de chacina
e promete assentar mais famílias
-----Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promete assentar outras
300 famílias na Fazenda Nova Alegria, em Felisburgo, no
Vale do Jequitinhonha, palco da chacina de cinco acampados na
tarde de sábado. O anúncio foi feito na manhã
desta segunda-feira pelo líder regional do MST em Minas
Gerais, Cristiano Meirelles, durante o enterro da vítimas,
no cemitério da cidade.
-----
Segundo Meirelles, o movimento
intensificará a luta pela terra na fazenda - chamada pelos
trabalhadores de acampamento "Terra Prometida" -,onde
atualmente há 140 famílias. A marcha dos sem-terra
rumo à propriedade será realizada na tarde desta
segunda-feira. A manifestação será acompanhada
de perto pela Polícia Militar, que reforçou a segurança
na região com cerca de 110 homens.
-----
De acordo com avaliação
da polícia e do próprio MST, o enterro foi acompanhado
por mais de 2 mil pessoas. Várias caravanas com trabalhadores
rurais de municípios da região, como Teófilo
Otoni, Rubim e Governador Valadares, chegaram a Felisburgo para
acompanhar a cerimônia.
-----
Durante o trajeto entre o
ginásio poliesportivo, local do velório, e o cemitério,
houve distribuição de sementes de milho e feijão.
O ato simbólico, de acordo com o MST, representa a esperança
na vida e reforça a luta pela reforma agrária.
Lideranças
católicas
-----Padres
e representantes da igreja católica acompanharam a cerimônia
ao lado dos trabalhadores. O bispo Hugo Maria Vansteklaburg disse
que a chacina poderia ter sido evitada. “Eles já
vinham recebendo ameaças há muito tempo. As autoridades
foram alertadas e ninguém fez nada”, disse o religioso.
Já o padre Messias Vitor acredita que a morte dos trabalhadores
vai “acelerar o processo de assentamentos na região”.
(Com informações de Luiz Ribeiro/Estado de Minas)
www.uai.com.br,
22 de novembro de 2004
MST protesta contra chacina e fecha três
rodovias em Minas
-----O
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Via Campesina
fecharam três trechos de rodovias em Minas, em protesto
ao massacre no Acampamento Terra Prometida, em Felisburgo, neste
sábado. Estão bloqueadas a MG-050, Km 54, em Juatuba;
a BR-116, em Frei-Inocêncio, no trecho Rio-Bahia; e a BR-251,
no trecho que liga Montes Claros a Salinas.
-----
Os manifestantes exigem a
imediata prisão, julgamento e condenação
do latifundiário Adriano Chafiit Luedy, que, segundo os
trabalhadores rurais, seria o mandante da chacina. Eles pedem
ainda punição aos jagunços que executaram
cinco trabalhadores e deixaram mais de 20 pessoas feridas.
-----
No ataque, morreram Iraguiar
Ferreira da Silva, de 23 anos; Miguel José dos Santos,
de 56; Francisco Nascimento Rocha, de 62 anos; Juvenal Jorge da
Silva, de aproximadamente 65 anos; e Joaquim José dos Santos,
de 65.
-----
Quatro pessoas permanecem
internadas, mas passam bem. Joaquim Batista da Silva, de 47 anos,
e o filho J.B.S., de 12, estão no Hospital de Felisburgo.
Valdemar Barbosa Lima, de 58 anos, e José Maroto Lima,
de 59, estão no Hospital Santa Rosália, em Teófilo
Otoni. Valdemar foi submetido a uma cirurgia no abdome e José
Maroto passou por uma drenagem linfática.
www.uai.com.br,
Política
Domingo, 21 de novembro de 200415:32
Polícia divulga nome de suspeitos
presos pela morte de sem-terra
CBN Minas, 21/11/2004 - 17h50m
-----BELO HORIZONTE - Os três
suspeitos presos neste domingo, em Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha,
acusados do assassinato de cinco trabalhadores rurais sem terra,
foram identificados como: Francisco de Assis Rodrigues Oliveira,
o Chicão, Admilson Rodrigues Lima, o Bila, e Milton Francisco
de Souza, o Milton Pé de Foice.
----- O secretário extraordinário
de Reforma Agrária, Neider Moreira, já está
em Felisburgo acompanhando as investigações. Ele
irá se encontrar com o ministro da Reforma Agrária,
Miguel Rossetto, para analisar a situação na região.
Pelas informações do Incra, 140 famílias
ocupam a fazenda Nova Alegria na zona rural de Felisburgo desde
2002.
Pistoleiros chacinam 5 sem-terra em MG
Gláucio Castro e Gabi Santos
Repórteres
-----Cinco
trabalhadores rurais sem-terra foram executados a tiros no fim
da manhã de ontem e 13 ficaram feridos, dentre eles uma
criança de 12 anos, em um acampamento rural a cerca de
22 quilômetros de Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha,
a 731 quilômetros de Belo Horizonte. De acordo com a Polícia
Militar, pelo menos 15 homens armados invadiram a Fazenda Nova
Alegria e dispararam centenas de tiros, espalhando pânico
no acampamento. Em seguida, eles atearam fogo nas barracas de
lona que estavam no local. Toda a ação teria durado
aproximadamente 30 minutos.
-----Além
de quatro sem-terra mortos na fazenda, o médico José
Geraldo de Souza, que atendeu os feridos, informou que um lavrador
identificado como Joaquim José dos Santos, 48 anos, morreu
no Hospital de Felisburgo às 16 horas de ontem. Ele foi
baleado na perna e braço direitos e na barriga. Até
o fim da tarde de ontem, dois feridos em estado grave continuavam
internados e três tinham sido transferidos para um hospital
de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. Todos em estado grave.
-----A
fazenda de gado Nelore Nova Alegria foi invadida há cerca
de três anos por aproximadamente 150 famílias. De
acordo com a PM, na hora do conflito, pelo menos 80 famílias
ainda estavam no acampamento. Por volta das 11 horas de ontem,
cerca de 15 homens com armas de grosso calibre chegaram à
fazenda em uma Van e já desceram atirando e gritando para
ninguém reagir. Os sem-terra não souberam informar
à PM o tipo exato de armas que teriam sido usadas pelos
assassinos.
-----Depois
de concluir o ataque, o bando voltou para o veículo e deixou
o local em alta velocidade, possivelmente em direção
à Bahia. Alguns trabalhadores rurais identificaram dois
moradores de Felisburgo que teriam participado da ação.
Vários policiais militares de Felisburgo, Jequitinhonha,
Rubim, Rio do Prado e Almenara seguiram para a região na
tentativa de localizar os assassinos.
-----A
região foi totalmente cercada na tarde de ontem e uma equipe
da Polícia Civil da cidade de Jequitinhonha, comandada
pela delegada Maria Martins Motta, chegou à fazenda para
iniciar as investigações. Eles tentariam, ainda
ontem, localizar o proprietário da fazenda, que mora na
Bahia.
-----A
PM de Felisburgo confirmou que desde que os sem-terra invadiram
o local foram registrados pequenos atritos entre os funcionários
da fazenda e os invasores. Apesar dos desentendimentos, nada de
tão grave havia acontecido.
-----A
chacina levou pânico à pequena cidade de Felisburgo,
que tem cerca de 6.300 habitantes. Logo que os baleados chegaram
ao hospital, centenas de pessoas correram para o local em busca
de informações e dos nomes das vítimas, com
medo de que houvessem parentes entre eles. O médico José
Geraldo de Souza, que contava com apenas uma enfermeira no plantão,
se viu às voltas com uma agitação incomum.
Ele foi obrigado a chamar mais enfermeiras e o médico Wagner
Lomasir para ajudá-lo nas cirurgias.
-----Até
o final da tarde de ontem os quatro corpos dos assassinados continuavam
nas terras da fazenda Nova Alegria, em local isolado pela Polícia
Militar para os trabalhos dos peritos de Jequitinhonha. Nem um
temporal que caiu ontem em Felisburgo, no final da tarde, conseguiu
acabar com o clima tenso na cidade.
Fonte: Hoje em Dia, Online 21/11/2004