Agencia
Brasil 12:16 21/11/04
-----Cinco agricultores ligados ao
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram assassinados
ontem (20) na zona rural do município de Felisburgo, em
Minas Gerais.
Leia abaixo o texto
-----Os trabalhadores viviam no acampamento
Terra Prometida, área ocupada em maio de 2002 por cerca
de 200 famílias. De acordo com o MST, o Instituto de Terras
de Minas Gerais (Iter-MG) verificou que as terras eram devolutas.
----- Segundo
informações do médico José Geraldo
de Souza, do hospital municipal, quatro trabalhadores morreram
no local. O outro chegou com vida ao hospital, mas não
resistiu. Segundo o médico, todos foram vítimas
de armas de fogo.
----- Dois
trabalhadores rurais ainda se encontram internados no hospital
de Felizburgo: Joaquim Batista da Silva e seu filho J.B.S, de
12 anos. De acordo com o médico, a criança está
em observação, mas não corre risco de morte.
O pai, por sua vez, "inspira cuidados".
----- Outros
dois trabalhadores, Valdemar Barbosa Lima e José Maroto
Lima, foram transferidos para o pronto-socorro do Hospital Santa
Rosária, no município de Teófilo Otoni, a
pouco mais de quatro horas do local da chacina. Eles sofreram
perfurações no tórax e no abdômen.
Dos atingidos, oito pessoas tiveram ferimentos leves e já
foram liberadas.
----- A
chacina ocorreu na manhã deste sábado. Os trabalhadores
foram atacados por sete pistoleiros, segundo o membro da direção
estadual do MST, Mauro Lemes. Foi ateado fogo no acampamento.
Famílias
estão na beira da estrada
(Junia Emmanuelly/Portal Uai)
-----Além
de disparar vários tiros contra os trabalhadores sem-terra,
os pistoleiros atearam fogo contra os barracos, cobertos por material
combustível, como lona e fibra vegetal. As famílias
deixaram a área e estão na beira da estrada, onde
estão recebendo ajuda do pároco e de moradores do
local.
-----
De acordo com informações
da Secretaria do MST no Jequitinhonha, várias crianças
ficaram assustadas e se refugiaram em uma reserva ecológica
próxima ao acampamento. Muitas ainda estão na mata.
-----
As lideranças do MST
estão agora mobilizando alguns parceiros do movimento e
alguns acampamentos de sem-terra na região para darem apoio
às famílias. O Secretário Nacional de Direitos
Humanos, ministro Nilmário Miranda, determinou, na tarde
deste sábado, que a secretaria acompanhe o caso.
-----
“Infelizmente Minas
passa a fazer parte de uma lista de conflitos e mortes”,
lamenta a técnica do MST de Minas, Cláudia D’ávila.
www.uai.com.br
, Política
Sábado, 20 de novembro de 2004
Fazendeiro
é principal suspeito de ser mandante da chacina de sem-terra
no Vale do Jequitinhonha
(Luiz Ribeiro/Estado de Minas)
(AE)
-----As primeiras apurações
do assassinato de cinco integrantes do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem-Terra (MST), ocorrida no sábado, em Felisburgo,
no Vale do Jequitinhonha, indicam o fazendeiro Adriano Chafic
Luedi, de 37 anos, identificado como proprietário do imóvel,
como o principal suspeito de ser o mandante da chacina. O crime
ocorreu na Fazenda Nova Alegria, denominada pelos sem-terra de
Acampamento “Terra Prometida”, onde viviam cerca de
90 famílias. Cerca de 15 homens chegaram ao local atirando.
Cinco pessoas foram mortas e outras 13 ficaram feridas.
----- O
ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Nilmário
Miranda, que esteve na cidade junto com as principais autoridades
ligadas a questão da terra, tanto na esfera estadual quanto
federal, disse que há mais de dois anos a polícia
abriu um inquérito para apurar denúncias dos integrantes
do MST contra Chafic, que estaria ameaçando de morte os
acampados.
----- "Já
havia um inquérito por ameaças por parte desse Adriano
Chafic". De acordo com Nilmário, há relatos
de que os pistoleiros usaram uma caminhonete Toyota branca, que
pertenceria ao fazendeiro. Chafic também teria sido visto
na região na véspera das execuções.
"Houve um planejamento. Não foi nada de improviso",
observou Nilmário.
----- Segundo
o ministro, o grupo de pistoleiros teria sido comandado por um
ex-policial civil, identificado como Calixto, e o alvo eram os
líderes do acampamento. "Foi uma ação
deliberada, planejada para a matança". Nilmário,
o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto,
e o presidente do Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, se reuniram pela
manhã com o comandante geral da PM e o chefe da Polícia
Civil de Minas.
Denúncia
-----Durante
este domingo, a Prefeitura foi transformada no centro de investigações,
que tem à frente o delegado Wagner Pinto, da Delegacia
de Crimes Contra a Vida de Belo Horizonte. Centenas de curiosos
se concentraram em frente ao prédio. Por volta das 13 horas,
quando o ministro Miguel Rosseto deixava o local, integrantes
do MST fizeram uma manifestação, com faixas e gritos
em defesa da reforma agrária.
----- No
meio de toda a movimentação, uma denúncia:
de que a situação na região já estava
tensa há mais de dois anos e que a tragédia poderia
ter sido evitada se tivessem sido tomadas providências.
A afirmação foi feita pela Comissão de Direitos
Humanos da Assembléia Legislativa e por lideranças
do Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem-Terra, sendo reforçada
pelo promotor da Vara de Conflitos Agrários de Minas Gerais,
Afonso Henriques Teixeira, que também participa das investigações,
ouvindo as testemunhas.
Depoimentos
-----Os
três suspeitos presos no sábado - Milton Francisco
de Souza, o “Chicão” ou “Milton Pé
de Foice de 37 anos; Admilson Rodrigues Lima, o “Bila”,
de 34 anos; e Francisco de Assis Rodrigues, o “Quitinha”,
de 37 anos - prestaram depoimento durante a tarde de domingo e
negaram qualquer participação na matança
dos sem-terra. “Não tenho nenhum envolvimento com
esse crime”, assegurou “Quitinha”, também
negando que trabalhasse para Adriano Chafic. “Estou falando
uma coisa que não existe”, disse “Bila”,
jurando inocência, assim como terceiro suspeito, “Chicão”.
Velório
-----Os
corpos de Iraguiar Ferreira da Silva, de 23 anos; Miguel José
dos Santos, 56 anos; Francisco Nascimento Rocha, 62 anos; Juvenal
Jorge da Silva e Joaquim José dos Santos, de idades estimadas
superior a 65 anos, foram necropsiados no Instituto Médico
Legal (IML) de Teófilo Otoni e serão velados em
Felisburgo. A movimentação deste domingo, que tirou
da rotina dos habitantes do município, deve se repetir
nesta segunda pela manhã, quando acontecerá o enterro
das vítimas .
Foguetes atraíram
as vítimas para a morte em Felisburgo (MG)
(Luiz Ribeiro/Estado
de Minas)
-----O ataque aos trabalhadores sem-terra
que resultou nas mortes de cinco pessoas, no Acampamento “Terra
Prometida” em Felisburgo (Vale do Jequitinhonha) foi devidamente
planejado. Foram levados em conta até alguns aspectos do
modo de vida no acampamento, conforme relato dos sobreviventes.
Para reunir os sem-terra o grupo armado soltou foguetes, recurso
usado pelas lideranças do Acampamento “Terra Prometida”
como uma forma de aviso para convocar os trabalhadores para as
reuniões. Ao ouvir os fogos, sábado, por volta de
11h30, os sem-terra acharam que se tratava de mais um encontro
para discutir assuntos de interesse, e se dirigiram para uma área
do acampamento, normalmente usada para as reuniões. Quando
chegaram ao local, foram surpreendidos pelo grupo armado.
----- Segundo
Wanderley Barbosa Lima, de 22 anos, um dos sobreviventes da chacina,
o grupo armado “cercou” os sem-terra, que apanharam
foices – como normalmente fazem quando são ameaçados
de retirada das áreas invadidas. Conforme o relato de Wanderley,
dos cerca de 15 homens que integravam o grupo, apenas um estava
encapuzado. “Eles falaram que era para sair da fazenda logo
senão ia ser ruim para a gente. Depois começaram
a atirar”, disse o sem-terra, que é primo de duas
pessoas mortas no ataque – Miguel José dos Santos
e Joaquim José dos Santos. “Depois dos tiros, jogamos
as foices no chão e saímos correndo”, acrescentou.
----- A
adolescente G.G. S, de 16, conta que, ao chegarem ao acampamento,
os atiradores pegaram como refém um dos sem-terra, conhecido
como Geraldo. Ele estava próximo de um chiqueiro, tratando
dos porcos, quando um homem o agarrou e apontou uma arma para
a sua cabeça. Mesmo assim, Geraldo conseguiu escapar, revelou
a adolescente.
----- “Agradeço
a Deus por estar a viva e poder contar essa história”,
disse G.G.S, chorando. Ainda segundo ela, o grupo armado humilhou
os sem-terra, chamando-os de “gambás” e “porcos”.
O bando também teria cortado arames de cercas de proteção
das roças dos trabalhadores, deixando as plantações
abertas para o gado comer.
www.uai.com.br,
22 de novembro de 2004
Grupo armado
executa cinco integrantes do MST em Minas
-----Belo Horizonte - Cinco integrantes
do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) foram assassinados
por um grupo armado que invadiu neste sábado o acampamento
"Terra Prometida", na Fazenda Nova Alegria, em Felisburgo,
a 731 quilômetros de Belo Horizonte, no Vale do Jequitinhonha.
-----De acordo com informações
da 48ª Companhia da Polícia Militar de Almenara, cerca
de 15 pessoas, que estariam encapuzadas, entraram no acampamento
por volta das 11h20 e dispararam contra os sem-terra. O grupo
ainda ateou fogo nos barracos.
-----Pelo menos outras 13 pessoas
ficaram feridas. Os pistoleiros teriam chegado ao local em uma
van e fugiram após o ataque. Até o início
da noite de hoje ninguém havia sido preso. Segundo o sargento
Marcos Roberto de Oliveira, quatro sem-terra morreram no acampamento.
Quatorze feridos - entre eles um menor de 12 anos de idade - deram
entrada no hospital da cidade.
-----O diretor administrativo do
hospital, José Geraldo de Souza, informou que todos apresentavam
ferimentos por arma de fogo. Um homem identificado como Joaquim
José dos Santos não resistiu e morreu durante o
atendimento. Dois feridos precisaram ser transferidos para a cidade
de Teófilo Otoni, também na região do Vale
do Jequitinhonha. Outros oito receberam alta no final da tarde.
Eduardo Kattah
http://www.estadao.com.br,
20/11/2004
Invasão de
pistoleiros a acampamento do MST em Minas deixa cinco mortos
-----Pela
primeira vez na história, acontecem mortes no Estado por
conflito agrário; mais de 20 ficaram feridos
(Junia Emmanuelly/Portal
Uai)
-----Cinco
trabalhadores rurais sem-terra morreram e mais de 20 ficaram feridos
na manhã deste sábado, durante uma invasão
à Fazenda Nova Alegria, em Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha.
A fazenda era a sede do Acampamento Terra Prometida, onde 140
famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST) estavam acampados desde o início de 2002.
-----
Pela primeira vez na história
dos conflitos agrários no Estado, são registradas
mortes. Todas as vítimas eram coordenadores do movimento
na região e estavam em uma reunião quando a chacina
aconteceu. A invasão aconteceu entre 10h e 12 h. segundo
informações do MST, as vítimas foram: Iraguiar
Gomes da Silva, Juvenal Jorge da Silva, Franciso, Miguel e Geraldo.
-----
Segundo militares do Batalhão
do Jequitinhonha, uma vã com pistoleiros chegou no acampamento
atirando contra os sem-terra. Depois do ataque eles fugiram. Os
homens não estavam encapuzados e alguns foram reconhecidos
pelos trabalhadores. “O pessoal conseguiu reconhecer três
deles: um é conhecido como Milton Pé de Foice, os
outros são o Cuitinha e o Calixto”, afirma o coordenador
do MST em Minas Ademar Suptitz.
-----
Os trabalhadores afirmam ainda
que os pistoleiros chegaram ao acampamento carregando um integrante
do MST que encontraram na estrada. Ele teria sido surrado pelos
pistoleiros. “A princípio, o ataque foi coordenado
pelo Calixto, que é primo de uma pessoa que se diz o fazendeiro,
Adriano Chafiit”, conta Ademar. Ele lembra ainda que uma
das vítimas, Juvenal Jorge, já teria sido vítima
de uma emboscada, na qual também foi agredido.
Ameaças
-----Segundo
Ademar Suptitz, desde que os trabalhadores ocuparam a área,
vêm recebendo ameaças de morte. Eles chegaram inclusive
a fazer ocorrências na polícia e a prestar depoimento.
“Mais uma vez o latifúndio deixa marcas de sangue
no campo, e desta vez em Minas”, lamenta o líder
do MST.
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Quatro destacamentos da PM,
das cidades de Almenara, Joaima, Rio Prado e Felizburgo, estão
no local para averiguar os fatos. Os feridos foram encaminhados
para o Hospital de Felisburgo.
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O chefe da Polícia
Civil em Minas, Otto Teixeira, informou que uma equipe do Apoio
Aéreo da Polícia Civil partiu no final da tarde,
acompanhada de um policial federal, para verificar o caso. Eles
ficarão no município vizinho de Pedra Azul.
-----
Ainda segundo o delegado,
inicialmente, as investigações serão coordenadas
pela Delegacia Regional de Pedra Azul. Se constatada demandas,
policiais de Belo Horizonte serão destacados para acompanhar
o caso.
www.uai.com.br
, POLÍTICA
Sábado, 20 de novembro de 2004 17:16