Documento Direitos
“Aprendei
fazer o bem, atendei a justiça, repreendei ao opressor,
defendei o direito dos órfãos, pleiteai a causa
das viúvas” (Is. 1,17)
A pessoa humana
é sujeito de direitos
Os direitos das pessoas não nascem das leis. As pessoas
têm direitos pela sua própria humanidade: já
nascem com direito de viver e de conviver com os outros e com
o meio ambiente, de acordo com a qualidade de vida possível
em cada tempo e lugar. O direito humano se fundamenta em valores
espirituais: na criação e promessa divina de vida
em abundância para todas as pessoas. As leis deveriam garantir
os direitos de todos, mas, na realidade, a maioria delas não
passa de restrições ou até de negação
de direitos, impostas pelas classes e setores dominantes. Por
isso o legítimo é sempre mais que o legal, e a luta
visa não apenas a defesa, e sim a conquista efetiva e a
garantia em lei de novos direitos.
Lutar por todos os direitos
As pessoas têm um conjunto de direitos que devem garantir
a vida: direitos civis, sociais, políticos, econômicos,
culturais, ambientais. Na sociedade nova que estamos construindo,
todos os direitos serão para todos e todas.
Direito e cidadania
O direito é relacionado ao exercício da cidadania.
Numa sociedade como a brasileira, os governantes, legisladores
e magistrados são, em sua maioria, comprometidos com o
projeto neoliberal e, com isso, trabalham para reduzir ao mínimo
os direitos sociais, agravando o colapso das expectativas do povo.
A conquista e a garantia de direitos dependem portanto da prática
da cidadania, que se expressa na ação individual,
na participação e na ação política
organizada. A ausência de canais institucionais que garantam
a vigência efetiva de direitos torna necessárias
e legítimas as várias formas de luta direta, tal
como a ocupação de terra.
Compromisso da CPT
Nessa realidade, a CPT assume o compromisso de apoiar e reforçar
as lutas dos trabalhadores/as rurais e suas organizações
por todos os seus direitos, e denunciar e contestar todos os que
negam ou agridem esses direitos.
Em vista disso, a CPT assume como ações prioritárias
para o próximo período:
# Investir na formação política e jurídica
dos agentes e trabalhadores como exigência para o exercício
pleno de sua cidadania e seu protagonismo, através de:
# Cursos na base para lideranças e jovens;
# Promoção de juristas leigos;
# Produção de subsídios em linguagem popular;
# Aprofundamento da questão do direito em relação
à terra e à água;
# Estudo dos fundamentos bíblicos dos direitos humanos.
# Lutar contra a violência e a impunidade:
# Denúncia no âmbito nacional, como no internacional,
das agressões aos direitos dos trabalhadores, das lideranças
e agentes;
# Apoio às famílias das vítimas da violência
do latifúndio e do Estado;
# Melhora da documentação da violência no
campo (banco de dados, ampla divulgação);
# Retomada da pesquisa dos assassinatos no campo;
# Pressão sobre o judiciário para agilizar os processos
parados na justiça;
# Denúncia das decisões injustas do poder judiciário
e pressão para que sejam mudadas;
# Promover a dignidade do trabalho rural:
# Luta pela regularização e valorização
do trabalho dos assalariados e assalariadas rurais;
# Apoio às experiências de organização
dos trabalhadores e trabalhadoras assalariadas promovendo o intercâmbio
e o reforço entre as mesmas;
# Combate ao trabalho escravo, estendendo a todo o país
a Campanha já iniciada pela CPT.
# Enfocar a promoção dos seguintes direitos:
# Direitos originários dos extrativistas, seringueiros,
ribeirinhos e posseiros e dos povos indígenas e afro-brasileiros;
# direitos das mulheres, incentivando a campanha pela sua documentação,
lutando contra as violências que sofrem, lutando pela criação
de delegacias da mulher em todas as comarcas;
# direito à alimentação saudável e
à segurança alimentar (contra os transgênicos
e o uso de agrotóxicos e incentivando os bancos de sementes
nativas);
# direitos previdenciários;
# direito à participação política
das mulheres na sociedade, nas instâncias dos movimentos
sociais e na CPT.
5. Propor avanços na legislação:
# emenda constitucional pelo limite da propriedade rural;
# combate às medidas autoritárias restringindo os
direitos adquiridos pelos trabalhadores e trabalhadoras (MPs e
portarias);
# novas leis reforçando a repressão ao trabalho
escravo (expropriação, federalização
da competência);
# Outras articulações:
# Incentivar as igrejas para que retomem seu compromisso junto
ao povo
# Apoiar a Rede Nacional de Advogados Populares;
# Estimular a criação de Centros de Direitos Humanos;
# Continuar participando no Fórum nacional contra a Violência
no Campo e incentivar a criação de fóruns
regionais;
# Divulgar a missão e ação da CPT nos centros
urbanos para que o povo das cidades apoie as lutas dos trabalhadores
e trabalhadoras rurais;
# Intensificar parceria e articulações nacionais
e internacionais na defesa e promoção do direito
e luta contra a violência e a impunidade;
# Incentivar e apoiar as organizações das trabalhadoras
rurais na defesa de seus direitos