CONFLITOS NO CAMPO
----------A
violência e a impunidade no campo estão presentes
em todo o país e casos como o massacre de Eldorado dos
Carajás, que completou quatro anos de impunidade, não
são fatos isolados. O Setor de Documentação
da Comissão Pastoral da Terra (CPT), fez um levantamento
sobre os assassinatos no campo de 1985 a 2002. Nesse período
foram registrados 1.280 assassinatos de trabalhadores rurais,
advogados, técnicos, lideranças sindicais e religiosas
ligados à luta pela terra.
----------O
estado onde mais se matou foi o Pará com 492 mortes, seguido
pelo Maranhão com 107 assassinatos. No governo do presidente
Fernando Henrique Cardoso foram assassinados 286 trabalhadores
rurais em conflitos agrários. Desse total, houve uma condenação
em 1994, do mandante do assassinato de Luiz Carlos Voltolin, em
Rondônia; a condenação de dois policiais militares
em 2000, referentes ao Massacre de Corumbiara; e a vergonhosa
condenação de um capitão e um coronel no
caso do massacre de Eldorado dos Carajás.
----------A
prova da impunidade está no fato de que dos 1.280 assassinatos,
apenas 121 foram levados a julgamento. Dos mandantes dos crimes,
14 foram a julgamento, sendo sete condenados. Foram levados a
julgamento quatro intermediários, sendo dois condenados.
E entre os 96 executores julgados, 58 foram condenados.
----------No
julgamento do massacre de Corumbiara, um promotor pediu a absolvição
dos réus militares e a condenação dos sem-terra
com a frase “Ou o Brasil acaba com os sem-terra ou os sem-terra
acabam com o Brasil”. No dia 18/08/2000 os policiais militares
Daniel da Silva Furtado e Airton Ramos de Moraes são condenados
a 16 e 18 anos de prisão respectivamente. O major José
Hélio Cysneiro Pacha e o capitão Mauro Ronaldo Flores
Correa, não foram julgados. E o cabo Geraldo João
Rodrigues foi absolvido.
----------O
julgamento do Massacre de Eldorado dos Carajás, realizado
no ano passado, constitui-se mais uma demonstração
de impunidade. Foram 19 pessoas mortas, sendo 9 assassinados sumariamente,
imediatamente, ou seja, não se contam os que morreram depois
e nem os que ficaram com seqüelas em decorrência da
ação policial. O processo já indicava qual
seria a sentença. A juíza não aceitou provas
que contribuíram com a condenação, como foi
o caso do laudo de Badan Palhares. Outras tantas questões
demonstraram a parcialidade do poder judiciário do Pará,
no intento de absolver os acusados. Ao final, houve a condenação
de dois comandantes da Polícia Militar, demonstrando o
descompasso e o conluio do Judiciário, pois não
é possível que o chefe que ordenou o despejo (o
governador Almir Gabriel), e os que praticaram não fossem
condenados. É por isso e por outras tantas injustiças
que os movimentos sociais e de direitos humanos reivindicam que
crimes de tal natureza sejam julgados pela Justiça Federal,
onde o poder local não intervem facilmente.
----------Quanto
ao julgamento do massacre de Corumbiara, um promotor pediu a absolvição
dos réus militares e a condenação dos sem-terra
com a frase “Ou o Brasil acaba com os sem-terra ou os sem-terra
acabam com o Brasil”. No dia 18/08/2000 os policiais militares
Daniel da Silva Furtado e Airton Ramos de Moraes são condenados
a 16 e 18 anos de prisão respectivamente. O major José
Hélio Cysneiro Pacha e o capitão Mauro Ronaldo Flores
Correa, não foram julgados. E o cabo Geraldo João
Rodrigues foi absolvido.
----------Os
conflitos no campo não acontecem por acaso, mas têm
sua raiz na falta de vontade política e de ações
objetivas do governo federal para enfrentar a questão agrária.
Em função da dinâmica insustentável
do modelo agrário e agrícola vigente no país,
exacerbaram-se os conflitos sociais no campo envolvendo latifundiários,
trabalhadores rurais e agentes do Estado.
----------A
impunidade é a face cruel da Justiça, que extremamente
ágil em conceder liminares de reintegração
de posse e determinar os despejos, no caso de ocupações,
se mostra extremamente lenta quando se trata de julgar e punir
os assassinatos e outras formas de violência contra os trabalhadores
rurais.
----------Comissão
Pastoral da Terra
----------Goiânia,
março de 2003.
Fonte: Site da Comissão
Pastoral da Terra Nacional.
www.cptnac.com.br