Por
que Plínio de Arruda para presidente do Brasil?
Frei Gilvander L. Moreira
Até 3 de outubro de 2010 e, talvez,
até o 2º turno das eleições,
o povo estará sob o impacto do marketing político,
eufemisticamente chamado de campanha eleitoral. Marketing
político é a “arte” de revelar
e ocultar. Revela o que interessa aos políticos
profissionais para atingir seu objetivo: roubar poder,
riqueza e prestígio. Os políticos que pleiteiam
continuar no poder tentam mostrar que com eles, pela ação
deles, a realidade se tornou cor de rosa, muito melhor
do que antes. E ocultam a realidade em preto e branco.
Escondem o que podem atrapalhar a corrida para o pódio
do poder, da riqueza e do prestígio.
Quem faz marketing político olha a partir de palácios
e de oásis; não discute um projeto popular
para o país. Discute apenas quem será o
melhor gerente para a empresa Brasil. Mas não adianta
querer tapar o sol com a peneira. Urge olhar a partir
das favelas, as novas senzalas, e a partir dos porões
da humanidade, onde padecem milhões de pessoas
que tem sua dignidade humana vilipendiada 24 horas por
dia, de domingo a domingo. Como aliado às lutas
dos pobres que lutam de forma organizada por seus direitos,
apresento, abaixo, motivos que me fazem votar em Plínio
para Presidente do Brasil em 3 de outubro próximo.
Com um discurso recheado de críticas aos partidos
tradicionais - PT, PMDB, PV, DEM e PSDB – todos
integrados ao neoliberalismo – o ex-deputado constituinte
Plínio de Arruda Sampaio está usando a candidatura
ao Planalto para ampliar o número de entusiastas
do socialismo. “Precisamos de alguém para
dizer que existe uma alternativa ao modelo capitalista.
Mas não vou à TV para dar aulas sobre o
sistema de produção de mercadorias”,
adverte. “Temos que lutar pela unidade das esquerdas
e dos movimentos sociais populares”, pondera.
Plínio é um cristão socialista. Presidiu
a JUC (Juventude Universitária Católica).
Apoiou o governo João Goulart e foi cassado poucos
dias depois do golpe militar-civil-empresarial de 31 de
março de 1964. Participou da fundação
do PT, onde militou até 2005. Plínio alerta:
“A Marina declarou que direita e esquerda são
conceitos ultrapassados. Não existe discurso mais
de direita do que esse”, provoca. E acrescenta:
“O PV é um partido de governos. Está
em todos, pode olhar.”
Plínio sabe que José Serra representa o
capitalismo neoliberal que tem devastado ambientalmente
e socialmente o Brasil. Plínio tem apoio de peso
na intelectualidade de esquerda. Estão na lista
Leandro Konder, Carlos Nelson Coutinho, Fábio Konder
Comparato e Aziz Ab’Saber – todos desiludidos
com Lula. Pastorais sociais e grande parte dos movimentos
populares apoiam Plínio, pois sabem que o modelo
econômico do PT, PMDB, DEM e PSDB é basicamente
o mesmo: capitalismo neoliberal, que causa tremenda injustiça
social e a maior devastação ambiental da
história.
Plínio foi o coordenador do 1º Plano de Reforma
Agrária que previa o assentamento de 1 milhão
de famílias, plano recusado pelo Governo Lula.
Promotor aposentado, no alto de seus 80 anos, Plínio
revela uma autenticidade ímpar na defesa de propostas
arrojadas que precisam ser abraçadas pelo povo
brasileiro para construirmos um Projeto Popular para o
Brasil. Doa a quem doer, Plínio defende altaneiramente
propostas que contrariam diretamente o poder midiático,
os banqueiros, empresários e latifundiários.
E, é óbvio, beneficiam os pobres.
“Não admito contribuição de
empresa. Se explora a mais-valia, não tem conversa”,
diz Plínio. Está fazendo uma campanha pequena
com a ajuda solidária de militantes que acreditam
no projeto que ele defende.
Com 60 anos de luta pela reforma agrária no Brasil
e por justiça social, o candidato pelo PSOL à
Presidência da República, Plínio de
Arruda Sampaio entrou para a história como o único
candidato a Presidente do Brasil que visitou, em 15 de
setembro de 2010, em Belo Horizonte, MG, a Comunidade
Dandara, no bairro Céu Azul – 900 famílias
que ocupam desde 09 de abril de 2009 um latifúndio
urbano de 36 hectares e que não cumpria sua função
social há décadas, além de dever
mais de 2 milhões de IPTU. Plínio, após
conversar com várias pessoas da Comunidade Dandara
e ouvir seus clamores, disse ao povo dandarense: “Vocês
têm direito de fazer desobediência civil.
Em nome da dignidade humana, da ética e da justiça,
as 1.200 famílias de Dandara, Camilo Torres e Irmã
Dorothy, em Belo Horizonte, MG, não podem ser despejadas.
As propriedades ocupadas não cumpriam a função
social e a posse sobre os terrenos não foi demonstrada
pelas empresas.”
Plínio demonstrou solidariedade à luta das
Brigadas Populares, movimento popular urbano idôneo,
e defendeu a desapropriação dos imóveis
urbanos ociosos para fins de moradia popular. Fez críticas
ao Programa Minha Casa Minha Vida que não leva
em consideração os vazios urbanos que poderiam
ser utilizados. Defendeu as Reformas Agrária e
Urbana e políticas de acesso à saúde
e educação.
Por isso defendo Plínio para Presidente em 3 de
outubro de 2010.
Belo Horizonte, 19/09/2010.