Grito dos Excluídos
2009 em Salto da Divisa, Vale do Jequitinhonha, MG
Este Grito Vem do Salto!
----------No
dia 09 de setembro de 2009, em Salto da Divisa, movimentos
sociais saíram em marcha pelas ruas da cidade para
realizar o grito dos Excluídos 2009. Das 09 horas
da manhã até o início da tarde, centenas
de pessoas da cidade soltaram seus gritos de indignação
contra todo tipo de exclusão que predomina em Salto
da Divisa.
----------Durante
a caminhada foram denunciadas muitas situações
que colocam a vida em risco e não respeitam os
direitos das pessoas.
----------Foram
ouvidos os gritos dos trabalhadores rurais sem terra do
Acampamento Dom Luciano Mendes (MST), que reivindicam:
----------a)
A desapropriação da fazenda Monte Cristo
e o assentamento de todas as famílias que estão
acampadas há três anos debaixo da lona preta
no Acampamento Dom Luciano;
----------b)
A atualização dos índices de produtividade
da terra que o governo federal se comprometeu em atualizar,
mas, que ainda não assinou.
----------c)
Foi também denunciado que Irmã Geraldinha
(Geralda Magela da Fonseca) está sendo ameaçada
de morte (e outras lideranças do MST), porque está
há 17 anos engajada na luta em defesa dos direitos
dos pobres.
----------Sabemos
que os conflitos agrários no Vale do Jequitinhonha,
Minas Gerais, têm ocorrido desde datas imemoriais,
perpetuando-se uma cultura de violência perpetrada
pelos grupos dominantes contra todos aqueles em situação
de exclusão e pobreza, de maneira que o Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organizou-se
na região e, dessa forma, passou a atuar social
e politicamente junto aos camponeses sem-terra no sentido
de conscientizá-los para a luta pela terra e por
uma vida com dignidade.
----------Irmã
Geraldinha é freira da Congregação
das Irmãs Romanas de São Domingos, vice-presidente
do Grupo de Apoio e Defesa dos Direitos Humanos (GADDH)
de Salto da Divisa, MG; apoiadora dos Movimentos Sociais
em Salto da Divisa; integrante da Comissão Pastoral
da Terra (CPT), participa das Comunidades Eclesiais de
Base (CEBs) e integra a Comissão de Justiça
e Paz da Congregação das Irmãs Romanas
de São Domingos.
----------As
85 famílias Sem Terra do MST do Acampamento Dom
Luciano reclamaram das ameaças constantes que vem
sofrendo, sendo elas feitas por pessoas ligadas aos latifundiários
e políticos locais. O coronelismo na região
vem de longa data. As entidades que apóiam a luta
pela reforma agrária também denunciaram
as ameaças e cobraram das autoridades providencias
antes que aconteça o pior: outro massacre como
o de Felisburgo em 20/11/2004, onde cinco trabalhadores
foram assassinados e outros doze ficaram feridos.
----------Foram
ouvidos os gritos dos professores contra os baixos salários
e falta de um plano de carreira adequado à categoria.
As associações de pedreiros, lavadeiras,
extratores de pedra e areia, pescadores, garimpeiros denunciaram
os danos causados pela barragem de Itapebi e as promessas
não cumpridas pela empresa responsável pela
obra de indenizarem as famílias atingidas.
----------A
construção da usina hidrelétrica
de Itapebi, no Rio Jequitinhonha, cujo empreendimento
do Consórcio Itapebi Geração de Energia
S/A, formado pela Coelba e por sua holding Neoenergia,
inundou cerca de 70 km2, atingindo diretamente 35 famílias
(e centenas de outras famílias indiretamente) em
Salto da Divisa, MG, entre pescadores, extratores de pedra
e lavadeiras. A usina atingiu ainda outras comunidades
nos municípios de Itapebi, Itagimirim e Itarantim,
no estado da Bahia. Dentre os diversos problemas destacamos
cinco relacionados à: infra-estrutura do reassentamento,
saúde, atividade pesqueira, lavagem de roupa no
rio Jequitinhonha e extração de pedra e
areia.
----------Denunciaram
também a precariedade da saúde, educação,
e reivindicam uma educação do Campo que
leve em conta as particularidades do campo. Denunciaram
também o alto índice de desemprego, a degradação
ambiental e reivindicam um projeto de revitalização
para o rio Jequitinhonha que morre a cada dia.
----------Esta
mobilização foi organizada pelos movimentos
sociais da cidade e contou com o apoio do GADDH (Grupo
de Apoio e Defesa dos Direitos Humanos), Igrejas e Diocese
de Almenara com a presença do bispo dom Hugo Maria
Van Steekelenburg, irmãs religiosas Dominicanas,
Cáritas Diocesana e CPT (Comissão da Pastoral
da Terra).
Informe da CPT (Comissão Pastoral
da Terra).
www.cptmg.org.br
Mais detalhes com Edivaldo
Ferreira Lopes, CPT do Vale do Jequitinhonha, MG
Cel.: 033 9916 8123
Ou com frei Gilvander, tel.: 031 3221 3055.
Clic no link, abaixo, e acesse “Conflitos Ambientais
no Vale do Jequitinhonha, do Grupo GESTA-UFMG”.
http://www.ufmg.br/polojequitinhonha/arquivos/pdfs/vozes_movimento_cidadania.pdf