NOTA
da CPT de Minas Gerais à IMPRENSA e à SOCIEDADE
DESPEJO DE 04 ACAMPAMENTOS
DE SEM TERRA DO MST NO SUL DE MG
----------Belo
Horizonte, 19 de maio de 2009, às 01:00h.
----------Ontem,
dia 18 de maio de 2009, a Polícia Militar de Minas
Gerais, após vários dias de pressão
e ameaças aos Sem Terra, despejou 98 famílias
de Sem Terra do MST – Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra – de quatro Acampamentos, no município
de Campo do Meio, no Sul de Minas. Foram despejados os
Sem Terra dos Acampamentos Sidney dias, Irmã Dorothy,
Tiradentes e Rosa Luxemburgo.
----------Parte
das famílias se refugiaram em outros acampamentos
do MST no latifúndio da ex-Usina Ariadnópolis.
A maioria foi acolhida no Assentamento 1º do Sul,
na ex-fazenda Jatobá, um exemplo de reforma agrária.
Após ser desapropriada, a ex-fazenda Jatobá,
hoje, Assentamento 1º do Sul, recebeu 40 famílias
de Sem Terra que, hoje, além do direito de acesso
à terra e à dignidade, produzem 1600 sacas
de café por ano, 1200 litros de leite por dia,
dão proteção às matas e nascentes
de água e geram mais 180 empregos diretos.
----------Segundo
uma Nota da PM a tropa compreendia 210 policiais militares
fortemente armados com revólveres, metralhadoras,
helicóptero, cachorros, cavalaria, três UTIs
móveis, carro do corpo de bombeiro, atirador de
elite e dezenas de policiais de operações
especiais da Tropa de Choque. A cidade de Campo do Meio
ficou sitiada pela polícia. Nunca se viu tamanho
aparato policial na região aterrorizando o povo.
Ninguém circulava sem ser vistoriado. As lideranças
do MST estão sendo perseguidas. Os policiais chegaram
de forma truculenta. José Inocêncio, um Sem
Terra, foi preso, porque insistiu em recolher um saco
de mandioca para levar antes que o trator da polícia
destruísse o mandiocal.
----------A
polícia destruiu muitas plantações
com patrola, trator, incendiando lavouras. Mataram cães
das famílias Sem Terra com tiros.
----------O
vereador de Campo do Meio, Camilo Lelis Fernandes, tentou
entrar em um dos acampamentos para acompanhar de perto
o despejo, mas foi impedido pela polícia.
----------Muitas
crianças entregaram flores para os policiais e
mostraram cartazes pedindo paz e apenas um pedacinho de
terra. As crianças acabaram chorando muito juntamente
com suas mães e avós, quando foram enxotadas
de seus barracos e ao se verem cercadas por tamanho aparato
bélico. Muitos Sem Terra se perguntavam: “Por
vocês policiais não estão correndo
atrás dos grandes bandidos que infernalizam a vida
do povo brasileiro? Deixem-nos em paz. Queremos viver
em paz, plantar sementes e criar com dignidade nossos
filhos.”
----------O
povo Sem Terra está em estado de choque.
----------Nós
da Comissão Pastoral da Terra hipotecamos nossa
irrestrita solidariedade aos Sem Terra do MST e, com indignação,
repudiamos mais esta covarde ação contra
a dignidade de centenas de camponeses empobrecidos. Lamentamos
com veemência a truculência da Polícia
e condenamos o Presidente Lula como o grande irresponsável
pela não realização da Reforma agrária
no nosso País. Lula dá bilhões para
o agronegócio, enquanto asfixia cada vez mais a
migalha de reforma agrária que acontecia na era
FHC.
----------Os
Sem Terra, para evitar mais um massacre, recuaram, mas
jamais desistirão da luta, pois sabem muito bem
que sem Reforma Agrária não haverá
justiça social e nem sustentabilidade ecológica.
----------Laudo
da EMATER atesta que só na área do Acampamento
Tiradentes, entre tantas outras plantações,
os Sem Terra estavam na iminência de colher cerca
de 1800 sacos de feijão. O que justifica perder
uma safra desse porte em tempos de crise alimentar?
----------Centenas
de acampados do MST estavam debaixo da lona preta há
11 anos nos acampamentos do grande latifúndio da
ex-Usina Ariadnópolis, que não cumpre função
social. Pela 6ª vez foram despejados, mas não
desistirão da luta, enquanto não ver raiar
no horizonte a verdadeira reforma agrária. Acusam
os três poderes – Executivo (presidente Lula),
Legislativo e Judiciário - por não realizarem
Reforma Agrária e por colocarem as famílias
Sem Terra na iminência de mais um massacre em Minas
Gerais.
----------Exigimos
que o Presidente Lula assine sem mais tardar o necessário
Decreto de Desapropriação por interesse
social da Fazenda Ariadnópolis, nos termos da Lei
4132/62, em Campo do Meio, Sul de Minas Gerais. (Processo
número 54170005006/0644). Somente com a desapropriação
das terras da ex-Usina a paz como fruto de justiça
se estabelecerá na região.
----------Exigimos
do Governo de Minas Gerais, Aécio Neves, indenização
das lavouras destruídas pela Polícia militar
a partir do laudo da EMATER.
----------Exigimos
que a polícia militar se retire da área
e que não faça despejo dos outros Acampamentos
de Sem Terra existentes no latifúndio da ex-Usina
Ariadnópolis.
Para mais informações, contato com:
Silvinho, cel.: 035-91679619 ou com Marcos Forte: cel.:
035-91869455
P/ Comissão
Pastoral da Terra – CPT Minas
Frei Gilvander Luís Moreira, e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br
Cel.: 031 9162 7970 ou 031 3221 3055