NOTA DO CONSELHO EPISCOPAL
DE PASTORAL
“Senhor, concede a vida do meu
povo pelo qual te peço” (cf. Ester 7,3).
- O jejum e a oração de Dom Luiz
Flávio Cappio, ofm, bispo da diocese de Barra-BA são motivados por seu
espírito de pastor que ama seu povo. Dom Luiz expressa seu constante
compromisso em defesa do Rio São Francisco e da vida das populações
ribeirinhas – agricultores, quilombolas, povos indígenas – e de outras
áreas. Sua atitude revela respeito à dignidade da pessoa e da criação e
sua convicção de que o ser humano é capaz de conviver em harmonia e
respeito com o meio-ambiente.
- Assim, Dom Luiz Cappio traz à luz o
embate entre dois modelos opostos de desenvolvimento: de um lado, o modelo
participativo e sustentável, que valoriza a agricultura familiar e a
preservação da natureza; e de outro, o que privilegia o agro e
hidronegócios, com sérios prejuízos ambientais e sociais, pois explora o
povo e destrói os rios e as florestas. Sua luta em defesa do Rio São
Francisco é respaldada pelo que diz o documento de Aparecida: “A
riqueza natural dos nossos países experimenta hoje uma exploração
irracional e vai deixando um rastro de dilapidação, inclusive de morte por
toda nossa região. Em todo esse processo, tem enorme responsabilidade o
atual modelo econômico, que privilegia o desmedido afã pela riqueza, acima
da vida das pessoas e dos povos e do respeito racional pela natureza” (DA 473).
- A CNBB tem afirmado, junto ao
governo e à sociedade, a necessidade de dar continuidade a um amplo
diálogo sobre o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco.
Tem sinalizado também a importância da revitalização do Rio e a garantia
de toda população ao acesso à água de boa qualidade como um direito humano
e um bem público. O Governo democrático tem a responsabilidade de
interpretar as aspirações da sociedade civil, em vista do bem comum, de
oferecer aos cidadãos a possibilidade efetiva de participar nas decisões,
de acatar e de respeitar as determinações judiciais, em clima pacífico.
- Julgamos necessário considerar
outras propostas alternativas, socialmente adequadas e eficazes,
apresentadas por entidades governamentais, especialistas e movimentos
sociais, a custos menores e com possibilidade de atingir maior número de
pessoas e municípios. Entre essas, destacamos as apresentadas pela ANA
(Agência Nacional das Águas), através do Atlas Nordeste, e pela ASA
(Articulação do Semi-Árido brasileiro) com a construção de um milhão de
cisternas.
- Neste tempo de Advento, vivenciando a
esperança, convidamos as comunidades cristãs e pessoas de boa vontade a se
unirem em jejum e oração a Dom Luiz Cappio, por sua vida, sua saúde e em
solidariedade à causa por ele defendida. A esperança não decepciona (Rm
5,5).
Brasília,
12 de dezembro de 2007. Festa de Nossa Senhora de Guadalupe.